Viajei para a Finlandia e larguei (de vez) o absorvente

Não foi dessa vez que eu parti para minhas aventuras finlandesas e fiquei por lá de vez… SQN: cá estou eu de volta, e carregadinha de novidades! E como vocês sabem, a Finlândia é um país bem feminista, então, acho que vou começar pela mais…errr… feminina das minhas descobertas! Hehehehe! Meninos, muito grata pela audiência, mas acho que este post não vai interessar muito vocês. Ou vai. Sei lá.

O papo da vez é sobre um artigo que, apesar de existir no Brasil, é bem pouco comum: coletores menstruais. Para quem nunca ouviu falar, é uma espécie de “copinho”, feito de silicone medicinal (não sei se existem coletores feitos de outro material, mas sempre será algo impermeável e maleável), para ser inserido na vagina, como um absorvente interno. A diferença é que, ao invés de absorver, esse copinho coleta o fluxo, que após um certo período (geralmente entre 4 e 12 horas), deve ser retirado, esvaziado, enxagüado e – pronto! – recolocado.

Exatamente! Nada de resíduos! Nada de privada entupida, nada de cestinho fedendo, nada de meio ambiente sufocado e -que bom!!- nada mais de gastos com absorventes todo mês! O coletor pode durar até dez anos. Imagina a economia que significam dez anos de absorvente? Aposto que paga as passagens da próxima viagem…(é, eu só penso nisso…Hehehehe!)

Preocupada em primeiro lugar com a questão ambiental, soube de algumas amigas com a mesma consciência que fazem uso de absorventes não-descartáveis, mas como sempre preferi os de uso interno, não via muita saída para o meu caso. Até que, no verão passado em Tampere, em uma conversa qualquer, minha amiga me falou sobre o MoonCup . Ao voltar ao Brasil, pesquisei e descobri que aqui já existia um similar fabricado no Brasil, o MissCup (que agora mudou seu nome para InCiclo , mas continua sendo o mesmo produto).Custa em torno de R$ 75,00. Quando vi pela primeira vez, só dava para comprar pela Internet (hoje vejo que existem alguns pontos de vendas indicados no site), e como nunca fui muito fã de transações virtuais (é, sou do tempo das cavernas…), decidi que iria comprar o meu na minha próxima viagem à Finlândia, onde o uso de coletor é mais comum, e dá pra adquirir um em qualquer farmácia.

foto1

Paguei um pouquinho mais caro, é verdade (cerca de 30 Euros, que dariam em torno de 90 Reais). Mas foi entrar, pegar e pagar. Escolhi uma marca finlandesa (claro!) a Lunette. E, embora já tivesse tirado todas as minhas dúvidas sobre como utilizar o coletor com minhas amigas finlandesas e na farmácia onde o comprei, fiquei grata por não ser obrigada a destrinchar aquela bula em Suomi em caso de emergência, pois a homepage do produto está em inglês ( com opção de várias outras línguas, já que eles exportam os coletores para diversos países).

a caixinha

A frente da embalagem, dei uma ‘entuxada’ na mala e deu uma amassada.

verso da caixinha

O verso da caixinha

interior da caixinha

Interior da caixinha, com o coletor, a bolsinha de armazená-lo e duas bulas: uma em finlandês, outra em sueco.

Ok… apresentações feitas… Vamos ao que interessa!

 1) Colocação:

Olha, pra mim foi bem mais fácil do que eu esperava. Fiquei até com dúvida se tinha colocado direito, porque foi de primeira. Claro, levou mais do que os dois segundos que eu costumava levar para colocar o tampão convencional, e a princípio eu me arrependi de ter comprado logo de cara o tamanho maior (tenho fluxos bem intensos). Parecia que aquilo não ia entrar de jeito nenhum, mesmo dobrado corretamente, a largura me impressionou um pouco…Mas enfim, relaxei, respirei fundo e, com jeitinho e paciência, tudo foi se ajeitando…

instruções

2) Teste do “Senta-Levanta”:

Bom…nos primeiros minutos, eu me incomodei um pouco com o “rabinho” do coletor. Essa haste que fica no fundo, para facilitar o manuseio. Mas acho que depois que levantei e fiz alguns movimentos, o coletor se ajeitou ainda melhor, e o tal “rabinho” não incomodou mais. É bom lembrar que ele pode (e deve) ser cortado ou até lixado, se causar desconforto. Mas pra mim, foi tranquilo, acho que dá pra deixar como está.

Senti um certo incômodo, sim. Como foi logo no primeiro dia do fluxo, não sei dizer quanto foi da pressão do copinho e quanto é a cólica normal do primeiro dia. Mas já estava alerta que, de um jeito ou de outro, isso seria passageiro. Minhas amigas me garantiram que logo eu conseguiria esquecer totalmente da presença do coletor: sem o “sufoco” daquelas “fraldas” e sem aquele cordão horroroso pendurado pra fora do meu corpo, dava até pra esquecer que eu estava menstruada – e é verdade mesmo!

Sentei, levantei, pulei, me mexi de todos os jeitos possíveis. Claro, decidi testar meu coletor pela primeira vez num dia de fluxo bem forte, e que não precisaria sair de casa, assim qualquer imprevisto estaria sob controle. Só não tentei passar muito tempo de ponta cabeça, mas digo que dei até “estrela”, e não vazou nem um pouquinho! Tá mesmo escrito na embalagem que, “se colocado corretamente, não vaza”. Hyvä meidan tiimi!

 

3) Teste do Xixi:

Perfeito! Incomoda BEM menos do que os tampões tradicionais, inclusive. Ás vezes era difícil fazer xixi depois de um tempo com o absorvente interno comum… Sem contar que tinha de prestar a maior atenção naquela bendita “cordinha”, pra não molhar , nem encostar no vaso (eeeeeca!). Beeeem… Fim do problema!

4) Teste do co…errr.. “número 2”:

Mesma coisa do item acima. Perfeito desempenho, e nada mais a declarar. Afinal, “mulher bonita não caga”,  e eu ainda sou bem gatinha…

5) Teste da Cama:

Bom.. não cheguei a dormir, mas fiquei deitada um tempão… Nenhum incômodo, nem vazamento. Diz o fabricante (tanto do Lunette quanto o InCiclo) , que podemos dormir com eles, sem problemas. Uma das minhas amigas finlandesas vai além: diz que dá até pra se divertir bastante sem tirar o coletor. Sexo anal, oral, masturbação e “só-a-cabecinha”, pra ela, rola sem problemas. Bom, vai saber…Ainda não tive a oportunidade de fazer esse teste aí, não. Mas, se ela tá dizendo… Acho interessante constar. Vai que…né?

IMPORTANTE: Coletor menstrual não é método anticoncepcional nem preservativo. Se for tentar qualquer coisa, use camisinha!
6) “Tiração”:

Confesso que essa foi a parte mais complicada. Primeiro eu demorei um pouco pra “resgatar” a haste lá dentro. Aí eu puxava, e ela voltava, por um microssegundo cheguei a ficar ansiosa, mas como é sempre pior, logo relaxei e voltei (com os dedinhos beeeem lavados com água e sabão, lógico!) a “pinçar” o coletor de volta, conforme recomendado. O vácuo dificulta a retirada, então tem que dar um apertãozinho (com cuidado, para não derramar!) e , se precisar, umas rodadinhas. sempre com firmeza e devagar. Se fizer com calma e carinho, tudo vai seguir conforme o esperado. vai por mim: eu sou a pessoa mais desastrada do planeta, e consegui efetuar a manobra com sucesso!

Ok: a primeira vez que dei de cara com aquele coletor cheio foi, no mínimo…reveladora. Pra mulheres bem resolvidas, que desejam e gostam de se conhecer, é a melhor opção: você vai ver realmente o volume e o aspecto do seu fluxo. Eu diria até que é muito mais agradável do que encarar um absorvente tradicional.

de perto

Tudo certo? Então agora é só esvaziar o conteúdo no vaso ou na pia (li em algum lugar que o sangue diluído em água potável pode ser usado como nutriente para regar plantas, mas aí depende do nível de bichogrilice de cada uma), enxaguar em água corrente e recolocar – ou deixar secar naturalmente em um lugar limpo. No final de cada fluxo, basta lavar o coletor em uma solução de água com um pouco de sabão neutro bem diluído (não esqueça de lavar BEM, depois!), ferver por uns 5 minutos (de preferência no microondas, naqueles recipientes de esterilizar mamadeiras) , e guardá-lo na bolsinha que vem com o coletor, até o próximo período.

Recapitulando..: fácil de usar, econômico, ecológico, confortável , prático, seguro. E o meu ainda é finlandês 😉

Só vi vantagem!!

Author: Rosa Moraes

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