Caminho reto por estradas tortas
ago11

Caminho reto por estradas tortas

Tenho procurado entender os porquê das pessoas dizerem que eu preciso de  um carro. Dirigir é legal, dá pura sensação de liberdade.  Também é fácil sacar que porque morar longe, seria um alivio não precisar sempre de carona. Mas ainda não é por aí, quando penso em possíveis vantagens em dirigir eu não me sinto nada convidada.  O custo de vida aqui já é alto, principalmente pra quem mora afastado das avenidas. Ida e volta, moro a 40 km do Centro de Manaus. Como diz meu amigo Clóvis Rodrigues, talvez a fuga fosse a zona Norte, mas é o Centro que sempre me atrai. Só que na Belle Epóque, a gasolina não é justa, as estradas não são leais, o asfalto é desleixado, os habilitados não tem pés e os ciclistas andam com fones nos ouvidos. É triste quando me vejo na situação em ter que me acostumar a ter pelo menos 30 minutos de atraso a qualquer compromisso pela demora do busão, pior ainda quando ele passa por fora e não para na parada. Vem à mente as chamadas de matérias sobre tucanização do Centro Histórico, os chefes das famílias poderosas ditando as pseudotendências populares isso sem falar dos bancos não param de enriquecer… Zona Azul é um luto. É a prova cabal que a segurança publica não está integrada, a declaração explicita de que a polícia não funciona e a ronda não é nada ostensiva. E quanto as moedas dos flanelinhas, não existe filantropia pros donos dos pés de borracha, no máximo um temor sobre a violência física dos posseiros do ar. E o Ciops vai assistir tudo no ar condicionado, gigante? Eu nem tenho CNH mas sei que uma pessoa habilitada consegue fazer baliza. Se eles são os salvadores da rua, então deveria ter que ser um salário pro trabalhador que estaciona, repara, lava e ainda garante que ninguém vai roubar o seu lindo possante? Essa moçada que faz o “vallet na tora” agora vai ter carteirinha? E a água usada pra lavar os carros/ruas, agora vai ser mineral? O Centro tem uma forte relação de confiança, a informalidade que funciona e está cheio de xerifes. É por isso que tá sitiado, com uma série de prédios abandonados, em ruinas. Esse final de semana me teletransportei aos tempos de faculdade, ouvi uma música que faz sentido por que eu amo e ainda acredito na minha terra. Aprendi a letra quando perambulava pelas ruas centro sempre atrás de alguma uma lan house com a impressora funcionando, aquela frase do Nicolas Júnior que diz assim: ‘Mesmo ilhado, pagando mais caro e com o calor dos diabos eu quero...

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Só presta se for no CSU?
ago04

Só presta se for no CSU?

Jesus Cristo não estava nem nos planos para nascer e o dilema em não agradar a todos já era forte. Mas a tentativa é sempre válida. Em vida, ele não conseguiu conquistar a maioria mesmo assim a perigrinação sobre suas palavras foi perpetuada. A teoria é sempre assim, a gente tem fazer o máximo para agradar e até o último segundo sente a insegurança de que vai dar certo e se mostra assombrado pelo medo. Fazendo milagre há decádas, o Centro Social Urbano do bairro Parque Dez é um grande costa-larga dos eventos. Além de caminhada e esportes quadras que funcionam durante todo o ano no clube, o local abriga comemorações de todos os generos. Pode até parecer utópio, mas é bonito dizer que a democracia impera no CSU. Um local que abre espaço para todo tipo de gente e serviços. Eu me pergunto o que tem o CSU do Parque Dez de tão especial para ser alivio da sociedade? São feira de animais, apresentação de dança, barracas de comidas de típicas, sebo de livros, justiça itinerante, futebol americano, cross fit, o famoso funcional, isso sem contar com as aulas de boxe, natação, hidroginástica e tudo que o o amazonense gosta. Haja fôlego, mas pra mim, difícil passar batido! Já morei lá e assim como muitos moradores, me orgulhava em morar num bairro tão completo. Mas confesso que é super chato ter tanta intervenções negativas com as ideias oriundas do bairro, tipo como aconteceu com o Bloco das Piranhas, a Praça do Carangueijo e a Bola do Mindu. Uma feira de animais no primeiro final de semana do festival folclorico do bairro? Será possível que gourmetizaram a cagada e tornaram-nas como produto típico da época? Super lotação do estacionamento, caos nas estreitas ruas aos arredores, pinturas ás pressas, reforma incompleta, promessa de grande incentivo financeiro,  sem contar com a escuridão cabulosa da redondeza. Ah! Não posso esquecer que tanto de dia quanto de noite, ladrão dá na canela! Como é possível esse local ainda assim ser tão amado? O que há com a mini vila olimpica do São José, o Centro Social do Coroado ou Alvorada? Quem foi viu o quão legal foi o festival folclórico do Centro Cultural Povos da Amazônia, mas ele pode funcionar quantas vezes no ano? Por que tanta ocupação centralizada? Para até o evento só dá certo se for no CSU do Parque Dez. Alguém consegue...

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Bilhares pra que te quero
jul28

Bilhares pra que te quero

Realizar eventos sempre me foi desafiador. Lembro como se fosse hoje, quando completei 15 anos e meu grande debut foi ‘fazer minha própria festa’, com tudo que eu quisesse ou conseguisse. E não era nem meia-noite quando me vi labiando com dois policiais que queriam acabar com meu barulho. E ao longo de mais de uma década, tenho realizado outros sonhos como esses. Das festas que produzi, cheguei a ver fila na bilheteria e implorei pra chegar mais gente. Lamentei e comemorei quando acabaram as pulseiras, improvisei inúmeros argumentos para os insistentes policiais desconhecedores das leis civis. Cada uma tem um tesão, um friozinho na barriga que desbaratinante, mas só sente quem participa. No final do ano passado, tive o prazer de abrir as portas do meu coração, na comemoração de um ano do Portal Xibé. De longe, foi o maior publico que cheguei e sem duvidas o melhor que pude conhecer.  O evento reuniu nichos, agregou gêneros e deu ao publico presente, um gostinho de tudo aquilo que a gente tava preparando para o site. Quem foi viu. Do lado de trás do palco, não era só o meu coração, mas meu corpo inteiro ganhou uma tremedeira inexplicavel pra que tudo ocorresse bem. O sorriso tava ligado mas eu tava tensa. E não era pela heterogeneidade da plateia, era exclusivamente pela pressão dos canas! Parece perseguição né? Eu quero ser uma milhonária! Não era bem os canas! Eram os guardas metropolitanos responsáveis pelo parque, embebecidos de raiva e insegurança pela plateia que delirava ao som da Numbness, ameaçando desligar o som direto da tomada. Como assim mano? Sabe o preju que você vai causar? Confesso que pedi força aos deuses do metal para não compactuar com o tom deles. Até tentei adoçar a situação com pedaços de bolo, afinal de contas, eu tava de parabéns, (não?). Isso me incomodou, mas se não fosse meus anos de vizinhês, ninguém ia conseguir assistir ao show da Nekrost, simplesmente a eleita Melhor Banda do Prêmio Xibé da Música Amazonense. Os mesmos seguranças terroristas foram irredutíveis com o pessoal do Rock Pig e fizeram eles terem um prejú enorme de feijoadas e shows que não aconteceram. Eu não estou aqui para dizer que o serviço deles está sendo mal executado, muito pelo contrário, acredito que o buraco é mais embaixo. O Anfiteatro dos Bilhares está muito longe do que deveria, ele tem condições de ter eventos como o Prêmio Xibé, Rock Pig e outros todos os dias. O parque é pouco explorado e com uma péssima manutenção. Quase sempre os quiosques estão fechados e os realizadores não podem realizar nenhum tipo de...

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