poema na boca.
fev12

poema na boca.

  clitóris é a palavra mais poética que conheço infelizmente pouca gente gosta de poesia.

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Vida e vacilos da deusa dos pequenos prazeres
jan02

Vida e vacilos da deusa dos pequenos prazeres

Eu tinha 17, usava camisetas largas, já andava nas beiradas instigada pela brasa em mim e naquele ano, entraram apenas quatro alunos novos na classe, minha atenção era constantemente atraída pro garoto de cabelos pretos, do fundo da classe assim como eu. Ele tinha pulseiras de couro grossas, pouco falava e sempre chegava e saía da escola com fones de ouvido. Certa vez cruzei com ele na loja de discos, fumamos um cigarro falando sobre música e duas semanas depois nos beijamos na cozinha durante a festa de aniversário de uma colega. Descobri sensações causadas pelos toques nos lugares certos e numa tarde sozinhos na casa dele, os filmes pornôs que eu tinha visto escondido desde criança, me diziam no que aquilo ia dar se mais peças de roupas fossem tiradas. Já não era muito de romance, achei que tava na hora, tirei a calcinha e o puxei pra cima de mim. Tava tocando metal na minha primeira vez e em outras 3 mais, antes que ele preferisse dividir os cigarros com a roqueira de peitos maiores da outra turma. “Eu gosto de você –ele disse uma vez- É só que... eu prefiro ficar com garotas mais experientes, entende? Que saibam o que fazer na cama. A gente pode continuar amigos, se você quiser.” Alguns anos se passaram os experimentos foram além do meu próprio corpo, tempos em que aquelas palavras ecoaram na minha cabeça, a brasa em mim virou fogo e eu fui ficando fascinada em o ver queimando. Eu só precisava de tempo, e um tanto mais de autoconfiança que só foi aparecer ali pelos 20, alguns amantes e um vibrador que comprei na minha primeira ida a um sex shop.  Ninguém me provocava orgasmos melhor do que eu mesma com aquele brinquedo, mas o que eu gostava mesmo era de provocar prazer, dos gemidos, de tirar o ar e depois fumar um cigarro com a tranquilidade de um predador que acabou de se fartar. Teve o cara que adorava uma boa chupada, ele vinha com tanta sede pra cima de mim que eu só conseguia pensar que aquele pau mal era tocado pela garota dele, parecia um disco furado me perguntando se eu tinha gozado dessa vez, mas não fazia nada pra me agradar. E eu via aquela coleira invisível no pescoço dele, não tinha qualquer tesão por homem domado e já tinha provado tudo que sairia dali, “Quem sabe na próxima.” falei antes de vê-lo sair correndo pela última vez, mais ou menos um mês depois meu celular tocou 29 vezes, fiquei chateada comigo mesma por ter desperdiçado uma calcinha linda de renda, que ele...

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O rei e o bobo
maio30

O rei e o bobo

Rei Narciso era conhecido por sua benevolência. Tinha assumido o trono cedo porque seu pai foi acometido de uma grave doença na qual não resistiu. Cresceu como rei e homem diante dos olhos curiosos e com o auxílio dos conselheiros tonou-se um excelente líder. Foi-lhe arranjado um casamento com uma bela princesa, unindo reinos e selando a paz, visto que antes já haviam batalhado por território. Ao repousar os olhos sobre ela pela primeira vez teve certeza da sorte que havia tido, não apenas seria uma jogada política, mas a mais bela figura que ele poderia ter ao seu lado. A paixão foi fulminante, apressando o casamento. Não queria mais ficar longe dos seus olhos. Seu reino prosperava, lhe auxiliando a justa rainha sempre intercedendo por aqueles que a ela chegavam. Tudo parecia em ordem, mas algo incomodava o rei em seu íntimo: a ausência de herdeiros. Apesar de suas insistentes tentativas sua senhora parecia incapaz de trazer-lhe tal alegria e, com isso, a cada dia seu coração endurecia. Seus súditos que tanto o amavam passaram a lhe temer, ao ponto de ouvir as trombetas que anunciavam a sua chegada e recolher-se em suas casas, com receio de qual seria a atitude descabida que suas mãos realizariam daquela vez. Costumava jogar na masmorra àqueles que ousavam não abaixar a cabeça ante a sua presença. Sua aparência, antes jovial, já não era a mesma, seu cenho estava sempre franzido, revelando a amargura que trazia junto ao peito, os cabelos brancos lhe cobriam a cabeça. Enquanto sua esposa permanecia reluzente, não se deixando abalar por toda a loucura que tomara conta do seu rei, que também passou a beber excessivamente e cultivar em harém de meretrizes, entre elas, sua favorita, Madalena. E somente então a sua desgraça chegou à rainha. Antes conhecida como justa passou a se esconder no castelo. Já não saia do seu quarto, entrando numa profunda depressão. Não suportando as constantes crueldades do seu marido, encontrou conforto nos braços da morte, sua antiga conhecida, a rainha da coroa de espinhos, que várias vezes tirou a vida de dentro do seu ventre, fazendo com que ela perdesse de forma cruel todas suas tão desejadas gravidezes. Foram três antes que desistisse da vida, de Narciso, de tudo. Narciso encontrou o corpo de sua mulher morta, lívida, fria, com olhos vidrados. Sentiu tanta dor ao ponto de cair de joelhos. Como uma criança, deitou ao seu lado vertendo lágrimas nunca antes vistas e implorando que deus devolvesse seu amor, o que não ocorreu. O silêncio do castelo era quebrado pelos seus berros de horror, seus pedidos de desculpas que sua esposa...

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Filhos da Mãe!
abr14

Filhos da Mãe!

No plácido cômodo da casa grande a luz atravessa suavemente as cortinas brancas. Quadros com pinturas bizantinas, abstratos, abajur, candelabros, pequenas esculturas e tapetes compõem um ambiente repletos de heranças e valores transmitidos geração após geração. Um ordenamento físico e emocional carregado de apegos e representações emocionais para o jovem Pandolfi. Dessas famílias tradicionais que se empenham nas velhas tradições. Vivendo às margens de problemas sociais e econômicas, os Pandolfi gozavam de prestígio na comunidade. Sendo a terceira geração a desfrutar uma vida confortável numa casa grande no elegante bairro do Ipiranga em São Paulo. Foi neste ambiente durante uma reunião dominical onde o caçula Ricardo Pandolfi informou à todos na mesa durante o café da manhã: - Fui selecionado para um curso de Extensão em Antropologia no Amazonas! Sem despertar maiores ânimos nos presentes, continuou. - Vou passar quarenta dias no meio da floresta! A primeira a indagar foi sua mãe; Como assim meu filho? Onde você vai ficar hospedado? Quem vai com você? Embora tivesse 23 anos, dentro de casa, continuava a ser o filhinho da mamãe. O pai nem sequer fechou o jornalzão de Domingo que lia entre uma torrada e outra. Seu único aviso foi; Tenha cuidado com os mosquitos e serpentes! A irmã mais velha estava em alguma galáxia distante, afundada por completo no smartphone. Era o início de julho de 2010 quando Ricardo Pandolfi deixou o clima subtropical do inverno paulistano para ser defumado no clima equatorial amazônico. Uma diferença média de 20 graus célsius além da enorme distância geográfica. Ricardo sabia que era longe e bem diferente. Achou que podia prever as pequenas intemperes e vicissitudes, porém nada que rachasse sua cabeça como a cena que presenciou naquela noite em um lugar tão distante, tão distante que parecia mais fácil chegar à Lua do que alcançar aquela comunidade no município de Santa Isabel do Rio Negro. Os primeiros dias na capital amazonense foram de horror e espanto. Os resquícios da Belle Époque lhe pareceram insignificantes. Nem mesmo o exuberante Teatro Amazonas lhe chamou à atenção mais do que aquele povo caboclo que circula suado de um lado para o outro. Como um bom aluno de ciências humanas observava as pessoas para além das aparências, buscava refletir sobre as forças que agiam em cada gesto, modo de falar e pensar. O sol escaldante enfraquece Ricardo de tal forma que nas vésperas de embarcar para seu destino no alto Rio Negro ele nem conseguia levantar da cama, desidratado e esgotado fisicamente, disse para seu companheiro de quarto. – Amigo se eu não acordar ou mesmo que esteja morto, me bote no barco em direção...

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Ficou teu nome escrito em marcas no meu corpo
mar03

Ficou teu nome escrito em marcas no meu corpo

Só mais uma noite mal dormida como tinham sido outras nas últimas semanas, deitar no embalo das reflexões que só um domingo te fazem ter e na manhã seguinte, se arrastar pra fora da cama procurando o ânimo que parece ser repelido pelas segundas-feiras. Ainda na dúvida se valia a pena o trabalho de lavar e secar os cabelo, fiz o meu café com torradas e fui pra frente do computador, li receitas, baixei um disco, arrumei a casa, ignorei a postagem da faculdade sobre a volta às aulas e por fim tomei um banho demorado.  Minha cabeça andava cheia e o peito vago de emoções, no livro, Christiane narrava a primeira vez que foi ao Sound e eu pensei que tinha tempo que não ia a alguma festa, dançar me fazia um bem, vai ver era isso que tava faltando... Tanta coisa tava faltando na verdade, mas eu gosto de priorizar o que alimenta a alma, só mais um dos meus males. Rolei no sofá e deixei o livro de lado um instante pra mexer no celular, mensagem da Dani, uma amiga de São Paulo envidada há horas que eu não tinha visto: “Thaís, tá de férias ainda? Que acha de levar o Raphael pra tomar umas cervejas? Ele tá por aí a trabalho, não conhece ninguém, lembra dele?”. Eu lembrava, lembrava bem, tinha conhecido na casa dela da última vez que fui à cidade, um olhar e um sorriso marcantes demais pra ser esquecido, quase inevitável não observá-lo de longe a noite toda, mas quando finalmente conversamos desviava pra outras direções. Não sei bem o que eu queria esconder, mas achava que poderia ser lido em mim se mantivesse o contato visual por algum tempo. Baixei a foto anexada e fiquei olhando por uns minutos antes de responder, ela disse que passou meu número e ele entraria em contato, não demorou até o celular notificar nova conversa, dei algumas ideias de lugar, mas voltaríamos a nos falar em algumas horas quando ele estivesse livre. Joguei várias opções de roupa em cima da cama, tentei dar um jeito no cabelo, (e na cara), calor demais, antes que eu decidisse a blusa ele ligou: “Por que eu não vou até a tua casa e então decidimos aonde ir?”, coloquei uma música, ele chegaria em pouco tempo e tentei me arrumar o mais rápido possível, tinha acabado de fazer o gatinho no olho quando a mensagem dele avisando que estava no portão vibrou no celular. O mesmo desconcerto da primeira vez eu senti ao vê-lo parado ali diante de mim, sorri, convidei pra entrar, um abraço desajeitado como cumprimento, foi mais...

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Toca, me toca e perde esse medo
out15

Toca, me toca e perde esse medo

Naquela manhã em que eu abri os olhos devagar vi a luz do sol tentando se esgueirar no quarto através da cortina, tiveram outras noites de sexo antes daquela, mas foi a primeira em que eu não fui embora com a lua ainda no céu, virei pro lado e me vi sozinha na cama, sentei com a mente funcionando ainda devagar mas procurando as peças de roupa que faltavam no meio dos lençóis. Ele voltou com dois copos na mão e me ofereceu um deles, eu tomei metade num só gole achando que ia dizer que me levaria pra casa naquela hora, levantei pra guardar o sutiã na bolsa e vestir os shorts, pelo reflexo do espelho enquanto arrumava o cabelo o vi sentado na cama bolando um. Aí sorriu pra mim, um sorriso bonito demais até, fui me sentar também mas com certa distância, escondia o meu olhar na direção dele por trás do copo de suco que eu bebia agora devagar, um devagar nervoso, por não saber bem o que fazer, tinha esse acordo não verbal de casualidade e eu tava muito bem com isso, ainda estava sarando do cara que foi embora levando um pedaço do meu coração e o meu Transa do Caetano. Mudei minha atenção pros discos em uma pilha no chão e ouvi o barulho do isqueiro acendendo, ele chegou mais perto de mim e começou a me contar coisas sobre Pink Floyd e Mutantes, acho que aquele bom humor tão cedo no dia me impressionava mais que as histórias que tava me contando, mas como a música era das poucas coisas que eu sabia que tínhamos em comum, a conversa fluiu. E eu soprava bolinhas com a fumaça quando ele pegou o violão e começou a cantar despreocupado, cantou Janis, Velvet, Marley e não parecia ter pressa em me levar embora. Tocava e cantava sorrindo.  Alguma coisa mudou naquela manhã. Alguma coisa aconteceu e a gente se permitiu. O beijo de despedida no carro demorou um pouco mais naquela vez. A coisa toda ficou tão mais leve, ele pareceu perder o medo de que eu me apegasse e quanto a mim, parei de me manter tão distante com medo que ele pensasse que eu estava me apegando, o sexo era bom, eu não queria perder por causa dessas complicações bobas. A gente perde muita coisa com esses joguinhos, só dá desgaste. E os encontros seguintes ficavam cada vez melhores, trocávamos músicas e íamos nos conhecendo melhor, teve até uma tentativa de realmente assistir um filme juntos, convite que antes significava ele tirando minha blusa no momento em que eu pisava no quarto,...

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