Abrigo
fev09

Abrigo

Entramos no carro depois da festa e ela achou que o breve caminho até a minha casa era o divã que precisava pra me contar da sua vida. Ela tinha acabado de me conhecer, não trocamos mais que algumas palavras entre a música pop e funk que eu e a amada dela dançávamos entre cervejas. Eu tava acostumada com isso, com pessoas se abrindo pra mim, sendo que muitas vezes éramos completos estranhos um ao outro. E eu tentava ser o abrigo seguro onde elas podiam fazer isso. Eu sempre tentei ser o que os outros precisavam e não encontravam por aí. Sempre fui o que eu queria que fossem pra mim, esperando que algum dia alguém também o fizesse. E ela me narrou toda a trajetória, até aquela noite. Me contou dos sentimentos por aquela sentada no banco do passageiro ao seu lado e por quem veio antes dela. Eu entendia tudo. Meu silêncio era confortável como um abraço. Eu entendia tudo e pra piorar, estava na mesma situação. O sofrimento dela era o meu. E parecia atuação se reconhecer nas palavras do outro mas manter distância o suficiente pra não chorar no ombro e chamar pra mesa de bar. Eu mal consegui me esconder quando ela disse que "Não ser correspondido... Dói..." de um jeito que essas três letras tiveram a duração de dez. Com um pesar no tom que fez meu coração murchar dentro do peito. -É foda. -eu deixei escapar -É foda!" -ela repetiu quase como um aperto de mão Engoli as lágrimas que beiraram meus olhos. Questionei as divindades que me fizeram assim, com tanto pra dar, mas só querendo dar pra quem não tinha qualquer interesse em receber. Me despedi das duas e só um resto de mim se arrastou até em casa, se jogou na cama e se embalou em promessas piores que resoluções de ano novo, pior que a dieta que vai começar na segunda-feira. Eu não vou mais amar. Gotas de sal na minha boca. Minha alma se despedindo de mim na...

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Entendedor de mim
ago12

Entendedor de mim

Naquela noite saí depois da aula pra ver um cara com quem ficava tocar, não esperava o Yuri por lá mesmo que os dois fossem amigos, enquanto eu fumava um cigarro do lado de fora ele chegou e sentou comigo, não o via há algum tempo, mas o olhar dele era o mesmo de quando me beijou de surpresa na primeira vez. Acabou que ele ia voltar no carro com a gente, e até o deixarem em casa tive que ir sentada no colo dele por conta dos equipamentos e instrumentos ocupando boa parte do banco traseiro, passou o caminho todo me tentando, apertando e tocando enquanto conversávamos normalmente com os outros dois na frente. Eu adorava esse tipo de coisa, eu nunca disse, mas ele parecia sabe, sempre fui muito intensa e acabou dando certo com o jeito passional dele, quando finalmente ficamos juntos, não tirávamos as mãos um do outro. Mas ainda levou um namoro da parte dele e dois casinhos da minha antes disso acontecer. Dava conta dos meus dois lados, da puta e da namoradinha, ele adorava colo, se aconchegava nos meu braços e pedia carinho, podia dormir horas assim e acordava me beijando, me puxando pra mais perto, descendo a mão até o meio das minhas pernas, manhoso e excitado, tinha todo o jeito de entrar em mim devagar, sem alarde, sem tirar os olhos dos meus. Parte do prazer dele era me olhar, aprender onde tocar e de que forma, queria ser um bom entendedor das minhas reações, e tava indo muito bem nesses estudos. Ele me provocava com alguns movimentos devagar e quando eu começava a gemer é que a brincadeira de verdade começava. Às vezes, quando percebia que eu estava chegando no ápice, me prendia bem perto dele pra me ouvir gemendo no pé do ouvido e maltratava, até eu soltar devagar as unhas cravadas na pele e perder o controle sobre o meu corpo, me fazer gozar era o que deixava ele realmente com tesão e era quase inevitável não terminar logo depois de mim. Uma noite ele me ligou dizendo que tinha pegado um fumo muito bom e que tinha uma garrafa de vinho pra bebermos juntos, me arrumei, coloquei uma das calcinhas novas que tinha comprado outro dia, gostei bastante do reflexo no espelho e saí animada pra casa dele. Quando cheguei, abriu a porta já com um blunt na mão, me deu um beijo e me puxou pra dentro, na sala já dava pra ouvir o som do Deftones que tocava no quarto dele. -Tá sozinho? -“Até domingo, meus pais viajaram e o Ian saiu com a...

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