Quem tem boca vaia Roma

Nas ruas dos grandes centros do pais encontram-se diariamente a base da pirâmide econômica e social do Brasil. Trabalhadores – operários da nação. Vagabundos – desempregados – putas. Universitários – professores. Ladrões – traficantes, policia, usuários. Poetas letrados e iletrados. Artistas,  amantes apaixonados, casais entediados.  São os operacionais, a maioria da nação. Vão em vem em ônibus e trens lotados, disputados quase sempre à força.

Com base em comparações numéricas sociais posso crer que a  vida me colocou em uma posição muito privilegiada quando comparada com  a grande massa, o povão brasileiro. Na infância enquanto crescia convivia com pessoas das classes mais pobres às mais abastadas.  Índios, mestiços, mulatos, cafuzos, brancos, mamelucos, morenos, arianos, amarelos, negros, asiáticos.  Não ser rico nem pobre no Brasil  é como viver entre uma ponte que liga dois mundos. Assim foi e tem sido para mim.

Ao contrário das sociedades ditas de primeiro mundo onde o traço de igualdade social é como a curva do sol no inverno europeu, colocando a maioria dos cidadãos é pé de igualdade de direitos, oportunidades e deveres – A pátria brasilis é um totem vertical, impetuoso e imoral. Condomínios de luxo emparedados por favelas miseráveis se espalham por todo Brasil. Eu mesmo, estive em uma favela de Manaus trabalhando como produtor, dentro de um aglomerado de palafitas, casebres caindo aos pedaços cuja metade das paredes eram composta pelo muro dos fundos de um condomínio de bacana, onde também moram conhecidos meus.

Por ofício e vocação a  vida já me levou em um mesmo dia, de uma boca  nas quebradas mais fundas da cidade até uma coletiva de imprensa com o presidente alemão de uma multinacional onde eu deveria fazer perguntas de economia aplicada para em seguida voltar para redação e escrever a matéria –  Sair da redação no final do dia e ir para algum bar no centro da capital amazonense. E por que escrevo sobre tudo isso, meu caro leitor oculto? Para ressaltar que o coro das ruas não condiz com esses rumores de impeachment.

O mais sóbrio dos bebuns das ruas sabe  o que os comentaristas políticos de ocasião ignoram. O Brasil está muito melhor para os Brasileiros do que jamais foi. A corrupção é sim um problema que deve ser apurado nos rigores da lei, conforme rege nossa constituição. Os trabalhadores e operários da nação sabem que passar por um processo de impeachment irá lançar o Brasil perigosamente em um nevoeiro escuro e perigoso.11063392_10204683395743784_802916825_n

A classe C Brasileira tem acessado internet há pelo menos cinco anos. Uma geração cresceu nas escolas usando internet, chegou à universidade e hoje estão no mercado de trabalho. Estes criaram sim, uma  massa crítica capaz de separar o joio do trigo, independente da safra ser de esquerda ou direita. Não é porque o Tio Sam com seus interesses e capacidade de promover a desordem  querem tirar a Presidente Dilma, eleita democraticamente que o povo estará presente nas ruas.

É preciso lembrar que estes que estão por trás das manifestações que levam muitos descontes com o atual governo  às ruas, estiveram no poder desde a dissolução do império. São os herdeiros dos velhos barões antirrepublicanos que entraram na politica para representar seus próprios interesses. Eu sou testemunha de uma mudança clara e perceptível nas condições de vida daqueles que estiveram historicamente esquecidos ao logo dos séculos nesse Brasil.

O atraso é muito grande, mas os interesses nas riquezas e potencialidades econômicas do Brasil são ainda maiores. O interesse  daqueles que conspiram contra uma eleição legal e democrática, mobilizando forças ocultas é pesar a balança para o lado deles.  Nos últimos anos participei de movimentos e protestos nas ruas. Em 2015 estive no protesto contra o aumento da passagem de ônibus. Definitivamente não são essas pessoas que estão nas ruas pedindo impeachment;

Delegacia

Assinando o livrão após ser liberado no 1° DIP em junho de 2013

Em 2013 sem alarde, essas pessoas a quem me refiro  estavam nas ruas de Manaus. Ao todo não passavam de cem, incluindo eu. Nada de selfies abobalhados ou cartazes com discursos vazios. Um pequeno  grupo que não alcançava uma centena parou as ruas do centro  de durante algumas horas. O protesto chegou ao seu ápice na invasão do Terminal de Ônibus. O pequeno grupo só dispersou quando o atual prefeito Artur Neto autorizou o uso da força.

A fim de “restabelecer a ordem”  a tropa de choque da policia militar invadiu o terminal atirando balas de borracha – bombas de efeito moral, além da gás lacrimogênio.  Prisões foram efetuadas com a maior brutalidade. Entre os detidos, lá estava eu no camburão junto com outros quatro rapazes e um pneu careca   cheio de plumas de cobre que roçavam no nosso corpo a medida que os policias dirigiam tranquilamente sem rumo, fazendo curvas suicidas e dando freadas brutas.

Essas pessoas não estarão neste dia 15 de março nas ruas, minto. Suspeito que dois dos que estiveram preso na mesma cela comigo estarão nas ruas. Dois baderneiros à serviço de interesses políticos que eu combato. Mas estes são pintos ciscando na merda. Pior são outros dois oriundos da pobreza que hoje praticam a velha e execrável politicagem.

 

 

Quero ressaltar a liberdade de expressão e opinião. Porém, ainda mais, aprofundar os debates. Aos que querem e estão discutindo seriamente os interesses da nação recomendo informação – procurem se informar. Mudem de canal – leiam outros jornais. Comprem um livro de Historia do Brasil. Somos um pais continental, dos maiores desse mundo. Tirar a presidente do poder irá lançar nosso país nas trevas, ou pior no neoliberalismo dos infernos.

Bruno Marzzo

Author: Bruno Marzzo

Alguém que colheu tudo que plantou. Mas não plantou tudo que colheu! Não entendeu? Relaxa, isso não fará a menor diferença por enquanto! Site: http://brunomarzzo.blogspot.com.br/

Share This Post On
468 ad