O que você precisa saber sobre a música alternativa de Manaus

12646794_964076280345044_2882646312451153816_o Fui desafiado a escrever em 100 linhas sobre a cena alternativa de Manaus. Meu primeiro pensamento foi:  O que é “cena alternativa”? Quando penso na palavra alternativa o que me vem a cabeça é alternativo à algo ou alguém. O conceito de alternativo no dicionário diz o seguinte: adj. Que se diz, faz ou ocorre com alternação. Que se pode escolher em vez de outro: caminho alternativo. Mec. Que se move com regularidade ora num sentido, ora no outro: movimento alternativo. Corrente alternativa.   Pois bem. Em Manaus o que seria considerado o “mainstream” seria o Forró? O pagode do Copa O POP? Penso estar na hora de mudarmos esse cenário. Não mais ser reconhecidos como a alternativa do entretenimento. Somos um movimento autoral e de vanguarda que prega o que sente e produz cultura real. Uma leitura verdadeira do momento atual com conteúdo que precisa ser discutido. Ai me pergunto: E as Bandas Autorais com o conteúdo literário-poético do momento atual? Existe muita qualidade no que diz respeito aos músicos da cidade. Existe no Amazonas e nas pessoas que aqui habitam, o que eu chamo de Elisa e Anne 5“ancestralidade musical”. Os tambores e os sons da mata ecoam na mente antepassada dos artista locais. Tem muita gente talentosa aqui, ao mesmo tempo, vejo que tem muito desperdício de dinheiro publico quando estas bandas não estão nos editais. Salvam algumas exceções que já estão se atentando a isso, se for comparar com o Teatro, por exemplo, os atores e companhias só existem com esses financiamentos. Cabocrioulo, Johnny Jack Mesclado, Alaide Negão, Ayahuasca, Selva Madre, Casa de Caba, Infâmia, Dona Celeste, Cordão do Marambaia, Marcelo Nakamura,  Supercolisor, João Pestana, Luneta Mágica, Tribo Zagaya,  são alguns dos exemplos de bandas autorais/independentes/ que pra eu, na minha cabeça viajada, já deveriam ser sucesso nacional. Interpretes como Márcia Siqueira, Hêmilly Lira, Anne Jezine, Elisa Maia e Márcia Novo que são guerreiras que aqui mesmo procuram seus compositores valorizando o que é nosso. Fabricado na Zona Franca de Manaus. Ah se tivesse 1% do incentivo da Zona. Mas sim. O que eu sei que existe é uma “pseudo” barreira que distancia a Amazônia do Brasil. Artistas que se autofinancia com dinheiro de profissões “alternativas” à musica. Essa BARREIRA tá na cabeça dos “mercenas” daqui. Mas isso já está mudando. O caminho é longo e a gente tem que aproveitar a caminhada. Se você não conhece nenhum desses artistas e é manauara. Tá “por fora” muleque! Jovem inocente você. Mas tá: E a Cena Eletrônica? Existe? guerra vc raulzitoHá quem diga que DJ não é artista. Discordo. Já pensou em quanto um DJ ruim pode arruinar sua noite?¿ Se a musica não envolver, nada mais se envolve. As pessoas não se envolvem. Eu penso no dj como um cacique de uma tribo que coloca a aldeia toda pra dançar. Ele ali é o mestre da cerimônia e faz com que a atmosfera seja boa e que as pessoas ali na “pista” possam se conectar. O que a gente chama de “underground” nada mais é do que NÃO tocar a lavagem cerebral que rola nas rádios. Músicas produzidas pra te escravizar que nada falam sobre nada com características de água com açúcar que é fácil de assimilar. Um insulto a inteligência das pessoas. Eu salvo algumas exceções porquê de vez em quando coisa boa tá no rádio. Repito: de vez em quando. Pra citar alguns eu levantaria a bandeira do Kleber Romão (que está distante das pickups), criador do Bate-Estaca, projeto que leva a musica eletrônica  à espaços públicos pouco utilizados para o fim, desmistificando assim, o enredo da cultura de clube e valorizando o dj. Djs como Cezar Dantas com reconhecida carreira internacional hoje batalha para ensinar novos djs a colocar seus sentimentos ali nos decks. Fazendo com que a roda “underground” continue a rodar. O trabalho da Amazon Tribe nas pessoas do Eduardo Guerra e Raul Mota que há anos vem elevando a qualidade dos festivais. Existem vários outros selos e muitas tribos pra citar mas o desafio é escrever apenas 100 linhas e como dj é que nem grama, tem de mais brotando por ai. Que sejam todos bem vindos. Mas se for de verdade, e de qualidade. Abaixo ao DJ Fake! Precisava SIM! ter mais clubes na cidade. Mas Manaus tem fama de ser modista. As pessoas deviam olhar a qualidade em vez da quantidade. Vou a clubs e festas incríveis e quase sempre não tem um volume de apreciadores. O que me faz pensar que a cidade tem sim opção de clubes (poucas mais tem) e festas porém, não é apreciada. Quando as portas se fecham, reclamam. Digo isso porque já fui sócio de clube e sei. Pensando bem pra quê vários clubes se existem várias e várias pvts¿ Um clube é um clube. Pvt é pvt. Bora distinguir por favor, se for preciso, escreverei um artigo só sobre isso. Rap e Hip Hop Vi nos últimos meses uma onda de Hip Hop acontecer na Manauscity. Vários e vários grupos de fora, um final de semana atrás do outro. CARAPAIngressos de 50 contosralados. Ai eu pergunto: Mais quando¿ Se a parada é acessar e a produção coloca um ingresso nesse valor. É claro que a cena não vai comparecer. Tá ralado irmão. Os dias de hoje a prioridade é ter o que comer. Mas eu também entendo o outro lado da bancada. Do outro lado, o produtor também tem fome e família. E essa profissão ai meu amigo, tem pouco ou quase nenhum reconhecimento. É na dor pelo amor. O que me faz estabelecer uma conta. A matemática é simples: Quanto mais gente tiver indo no show. Mais barato o ingresso vai ficar. Vá no show dos locais com pensamentos localizados, assim você não espera pra ver o cara que vem lá de fora sem nem conhecer quem tá aqui, no corre do teu lado. Jander Manauara e Dj Carapanã são gente da melhor qualidade e tem muito pra dizer de uma forma irreverente e inteligente. DJ MC Fino que é um garimpeiro de talentos, tem a Equipe Black Roots, que mistura as pedradas do reggae e rap com excelente profissionalismo. O movimento Ritmo e Poesia que tem letra pra escrever um livro. E tenho que citar os Cabanos e o Marcos Tubarão que ainda se mantem militante e o grupo que deixou um legado pra essa rapaziada nova que tá chegando com força, com porte de grandes artistas, olha aí uma prévia do clipe do Qua$imorto, formado pelos ex-integrantes do P8 Crew. Se liga mano. A parada tá aqui e é daqui pra lá e de lá pra cá. Sacou? Mas bora a diante que minhas linhas tão acabando: Bicho: E os Festivais? Fazer cultura já é uma pedreira num país que a educação básica é mediana... Tá, é mediana baixa... Tá bom, é baixíssima.  Imagina um cenário caótico em meio a corrupção e o descaso dos “secretários” de cultura. A primeira verba que cai é de cultura e educação. Existem poucos ou quase nenhum mecanismo para se acessar a verba da cultura e quando tem é desorganizado. Existe uma batalha pra aprovar a lei até o tucupimunicipal de incentivo e criar a lei estadual. Das 10 principais capitais do país, Manaus é a única que não tem nem a lei municipal nem a lei estadual de incentivo a cultura. Pior! A lei Rouanet não funciona aqui por o Polo Industrial é SUFRAMADO e já incentiva 75% do valor do imposto devido dessas corporações. Mesmo assim existe “A Resistência”. Festivais como o Pirão/AM que leva em diferentes zonas da cidade a música autoral pra quem quiser ouvir e de grátis. 0800 e com muita qualidade. Já foram 15 festivais em menos de dois anos. O Até o Tucupi que uma vez por ano concebe um festival cheio de ensino e horizontaliza a informação, fazendo com que o artista se profissionalize e seja sustentável. O festival Floresta Encantada que há dez anos movimenta a cena cultural em defesa da natureza e da preservação da Amazônia. Cadê mano, o sustento dessa galera? Quando que já passados 10 anos o setor produtivo da cultura e as entidades competentes vão resolver olhar pra essa cadeia? Tô perguntando mesmo. Quem puder responder que responda. Manifeste-se. Esse tema é gigante. Deixei muita gente talentosa de fora mesmo tentando ser inclusivo ao máximo. Falo do contexto, do cenário que de 10 anos pra cá, mudou muito. Muitos se foram, muitos retornaram, vários continuam na batalha. Meu desejo é que a cultura vanguardista seja o popular e o que se tem hoje como “mainstream” vire o “alternativo”. Bons dias serão os que o “alternativo” vai ser o popular. Por que é isso que é. POPULAR. Do povo pro povo. Sem embalagem, sem rotulo. Cada qual com seu lugar e sua devida valorização e recompensa. Por dias melhores, há cultura “alternativa”.

Author: Pedro Cacheado

Share This Post On
468 ad