Não tem amor mas tem vodka

Não é que eu sinta falta dos dias em que tudo era preto e branco, na verdade eu nunca gostei muito de ficar olhando pra trás, só que houve um tempo em que a vida podia bater, que eu ajoelhava e pedia mais. E saía com umas boas marcas, aprendi a amar cada uma delas. Continuo esperando que essa minha inclinação pro sujo, pro errado, pro que instiga o pensamento, me leve cada vez mais além, cada vez mais pra dentro das mentes humanas, sem medo dos cantos ou de esticar a mão pra descobrir o que tem lá.foto1(1)

A maior parte do tempo eu não estou aqui. Ainda assim não tenho descanso de mim. Esse corpo é tão pequeno e me sinto sempre escorrendo, transbordando, o cheiro da loucura e dos hormônios exalando pelos meus poros, apenas os olhares errados na minha direção. Penso muito em sexo e morte, dos piores jeitos. Se é muito bom eu rejeito, não sei se por ceticismo ou frieza, tenho um repelente natural.

Desnudo a alma em palavras e todos acham que o erótico é a coisa mais explícita que eu escrevo. Duvido que saibam dizer quando eu estou fingindo. É quase excitante quanto tentam desvendar, essa mania de achar que sabem tudo sem precisar perguntar nada. Tenta mais, que eu tô chegando no fundo dessa garrafa muito rápido de tanto tédio.

Quase 3 e eu  procurando no computador alguém que me mostre as luzes da cidade ou ânimo pra levantar de manhã. Tantas noites que eu deitei com os ombros tensos e acordei com a marca das unhas cravadas na palma da mão, o sorriso cada vez mais desalinhado de tanto de que eu mordo. Me ensina a leveza? Queria não ser tão mundana. Quantas noites mais dormindo sozinha? Tá pra ser escrito amor capaz de acordar todo dia ao meu lado.

Eu não sinto quase nada, minha alma sai pra passear e larga essa casca aqui, nada bastando, serenamente procurando intensidade, pequenas doses de dor e prazer, que não duram nem os segundos de alívio no trago de um cigarro. É tão exaustivo… Tudo haver com a maldita vontade, todo esse desejo, é o fogo que anda comigo. Mas eu mato. Eu curo. Eu conserto.

O tempo está passando e eu continuo essa bagunça da porra. O tempo está passando e eu continuo me desperdiçando em diferentes braços. É um copo atrás do outro. É um corpo atrás de outro. Mas quem se importa? Certo dia me disseram, tá todo mundo junto se sentindo só. Não tem amor mas tem vodka. Um beijo seguido de um tapa. E eu ainda me renderia, ainda pediria pra tomar conta de mim, me tomar de mim. Meu coração tá mais no pé do que no peito. Não me quebra mais.

 

Author: Ells

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