Marcos Terra Nova

Fãs da banda Espantalho podem relaxar o coração porque tem novidade no ar. Calma! Não é a volta da banda, na verdade é o cantor e compositor Marcos Terra Nova que tirou a teia dos instrumentos e preparou um material novinho e totalmente independente. Pra conhecer mais sobre a ideia os singles "Estado de Direito" e "No Olho do Furacão", troquei algumas perguntas pro músico, segue abaixo:

Vi que você tá morando em Floripa, esses novos ares contribuíram pra esse retorno aos estúdios?

Contribuíram sim, mas ao seu modo e proporção. Não exatamente influenciando de forma tão determinante, mas talvez trazendo alguma característica mais madura ao trabalho, que está se situando entre uma pegada mais orgânica e ao mesmo tempo mais sintética. Na verdade, quando vim para o sul procurei me desligar de algumas coisas por um tempo e isso também incluía a música. 2016 foi uma espécie ano sabático para então eu começar a arranhar novos acordes. De qualquer forma a ideia de lançar um projeto novo já vinha sendo gestada antes mesmo do fim da Espantalho, e que eu estava apenas prorrogando. Quanto à produção técnica ela acontecem em home-studio mesmo, ou seja, nada de estúdios profissionais, o que exige um trabalho de captação, edição e acabamento bem mais acurado de minha parte, mas que é bem válido! Estou perto da natureza, relativamente afastado da bagunça urbana e isso ajuda bastante! Não há um relógio contando os minutos para iniciar ou terminar uma gravação. O processo ocorre gradativamente a seu próprio tempo!

Quero saber a ficha técnica, quem gravou contigo? Parcerias? Novidades? 

O trabalho é realmente solo. As ajudas que recebo são feedbacks das faixas em fase de pré-produção, que envio para alguns amigos, sentindo onde estou errando ou acertando! E essas dicas e críticas são realmente providenciais. Os arranjos são todos feitos e gravados por mim mesmo e isso acabou ocorrendo por dois fatores: 1º pela questão logística que dificulta o processo de produção em parceria, ainda que existam os meios digitais para isso, percebi que não conseguiria manter um fluxo de trabalho satisfatório com os potenciais parceiros; 2º Aceitei a situação como um desafio de crescimento na parte de produção, uma oportunidade única de aprimorar as técnicas de gravação e mixagem. Já que se trata de um álbum solo, porque não fazer ele realmente dessa forma? Mas a ideia de produzir músicas com parceiros é latente e certa! Novidades ficam por conta de algumas faixas mais intimistas onde extremos serão fundidos como um violão folk embalado por um som mais sintético, com abertura para a total experimentação de texturas sonoras distintas. Tem até um cover de “Sercret” da Madonna na jogada, numa versão folk-rock bem legal. Apesar de ainda não saber se terei a liberação oficial para incluí-la no álbum, independentemente disso ela será disponibilizada aos fãs!

Marcos Terra Nova no Facebook.

Faltando alguns dias pra eleição você vem "No olho do furacão", o que esse disco tá representando? 

Na real, são dois singles que precedem o álbum “Estado de Direito” e “No Olho do Furacão”. Cada um acompanhado de uma faixa-bônus com uma regravação de uma composição mais antiga. Eles servem pra dizer “oi galera!” e também para ser um teste de distribuição, já que troquei para uma empresa holandesa.

A escolha das duas refletem a situação que o país passa. No caso de “Estado de Direito” o foco é realmente direcionado ao papel do judiciário e como ele tem se mostrado ineficaz, protegendo políticos e penalizando pessoas de baixa renda! Já “No Olho do Furacão” é uma crítica à violência propriamente dita. Ao medo que nos é imposto no dia a dia, por tantas negligências por parte do poder público, mas também pela maldade que é inerente às pessoas. Não sou daqueles que justifica o mal pelas dificuldades que passamos, mas pelas escolhas que tomamos! Dificuldades nos fazem crescer e amadurecer e não nos tornarmos pessoas más e oportunistas.

Ouça mais em Soundcloud

 

Algum plano para shows? 

Por enquanto a ideia e fechar os trabalhos e fazer a distribuição até o Natal de 2018. Como é um trabalho solo, ainda estou acertando a formação de uma banda de apoio para shows em Manaus, que deve acontecer no primeiro semestre de 2019. Mas isso vai depender das agendas, convites e parcerias em nível de produção de eventos.

O timbre da voz e alguns arranjos ganharam outra cara na música Patchuli, aposto que todo mundo adorou. O que mudou com o Marcos Terra Nova que lançou essa música La trás? 

Amadureceu mais, incluindo na questão das técnicas vocais! Na verdade, é algo que a gente aprende com a prática e também observando o desenvolvimento de outros artistas ao longo do tempo. É muito comum abusarmos da voz quando mais novos, usando escalas musicais extremamente altas, sem perceber que isso poderá ser um grande problema no futuro devido às perdas naturais da extensão vocal, e se não for ajustado, há o risco real de perda da voz como já ocorreu com Bono Vox e Zezé diCamargo. Muitos artistas baixam a escala e ficam até melhores com o tempo! Particularmente, isso foi muito perceptível no Chris Cornell, que melhorou com o tempo e não o contrário. Espera estar nessa pegada! Rs

Como tá tocando a carreira solo?

Sem pressa alguma e sem grandes pretensões. Hoje me vejo mais como um compositor do que um artista sedento por palco. Melhor explicando, vejo a questão dos shows mais como uma extensão dos trabalhos de estúdio, à posteriori, à medida que surjam demandas ou convites. Não vejo a necessidade, pra mim por enquanto, de inverter essa ordem. Infelizmente, nosso mercado musical foi muito prejudicado por políticas culturais bastante equivocadas que, em efeitos práticos, apenas desvalorizam eventos de artistas médios no país, além de gerarem reservas de mercado para ONGs “culturais” com discursos bastante demagógicos.

O que mais podemos esperar até o lançamento oficial? 

Será lançado um terceiro single (surpresa!), até a metade de novembro de 2018 além do cover “Secret”. Paralelamente devido a mudança de distribuidora, o segundo trabalho da Espantalho foi suspenso por problemas de registro com uma gravadora específica. Aproveitando esse ensejo viu-se a oportunidade de relança-lo com uma nova mixagem, dessa vez com as 11 faixas que eram inéditas ao ano de seu lançamento sendo que as demais faixas na versão suspensa, irão compor um novo álbum como lados Bs, a ser lançado no primeiro semestre de 2019.

 Sem mais, segue o som:

 
Renata Paula

Author: Renata Paula

Jornalista profissional, editora de conteúdo do Portal Xibé e repórter nas melhores horas.

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