MACONHA: O que você tem curiosidade de saber mas nunca teve coragem de perguntar

Quem tem seda? On Jack Tall Back? Negativo. Em homenagem ao 20/4, aí vai um questionário de perguntas frequentes que os usuários da erva sempre precisam responder (nem sempre com tanta franqueza). Longe de mim fazer algum tipo de apologia ao uso, mas de fato, é que 20 de Abril de 2018, esse assunto precisa ser melhor difundido e quem sabe debatido nas rodas de conversas por aí!

  • Porque consumir maconha?

Cheech & Chong - Queimando Tudo (1978)

Acredito que esta seja a pergunta mais subjetiva do questionário, ela abre a série de perguntas justamente para evitar a polêmica que foi tão massificada de que a erva era a porta de entrada para outras drogas. Quando na verdade deveria ser uma escolha voluntária como beber refrigerante ou comer carne vermelha.

O uso medicinal ou recreativo ainda divergem nas opções de consumo, é por isso que o Estado não deveria interferir nisso. O estimado livre-arbítrio deveria ser fator principal de decisão. Meu corpo, minhas regras. A opção de fumar se tornou mais popular, fazendo com que pessoas que odeiam cigarros, charutos ou tabaco em geral, abrir mão e fazer o uso assim mesmo.

  • Qual o principal efeito?
 

Maconha é o nome popular de uma planta chamada Cannabis, dentro de tantas variações algumas delas possuem ações diferentes no corpo. Além do formato, ‘Sativa’ ou ‘Indica’ cada uma tem uma concentração especial, por exemplo: a sativa otimiza do humor e desperta uma vontade de encarar a vida com mais tranquilidade. Expressão de sentimentos e até potencializa alguns. Como num dia triste, em que pode sim dar uma experiência mais reflexiva. Já a Indica tem o poder mais relaxativo, (In couch / no sofá), praticamente um presente pro corpo após uma longa jornada de trabalho e até meio analgésico.

  • Quanto tempo fica no corpo?

Documentário nacional que conta a história de mães e pais na luta pelo direito de importação de medicamentos à base de cannabis.

Consumir o THC (TetraHidro Canabinol - principio ativo que dá o barato) pode variar para chegar ou ir embora. Seguindo os padrões tradicionais como fumar um baseado, o efeito dura em média duas horas, tem gente que consegue sentir até 8 horas depois do consumo. Se for fazer um exame toxicológico pode ficar alguns dias. Em caso de ingestão na comida, pode ser até mais rápido.  Capsulas, chás, óleos, foram desenvolvidos para uso medicinal em tratamento de doenças como mal de Parkinson, Alzheimer, anorexia, glaucoma e outras que comprometem o sistema psicomotor no corpo.

 Qual o risco de dependência?

Moderado. A predisposição em dependência química pode incentivar o cidadão a querer consumir muito, mas geralmente, a dependência é física. Você gosta, você usa. Conheço pessoas que por opção abriram mão por meses e até anos sem nenhum dano físico. A máxima que dizem “paro quando quiser” deve ser cautelada para todos os tipos de vícios. Muita gente tem “vícios casados” e a erva acaba sendo a costa-larga da história. Há quem consiga consumir maconha a vida inteira e nunca ficou viciado.

  • Que tipo de efeitos colaterais a pessoa pode ter?

Snoop Dog - rapper americano e empresário no ramo da cannabis

A erva tem efeito vaso dilatador, pode baixar a pressão ou dá taquicardia, por isso que os olhos ficam vermelhos. É possível sentir uma ‘secura’ na garganta e sede. Um dos mais clássicos é a famosa larica (fome). Em depoimentos colhidos por amigos que fazem uso, das particularidades é o aumento da libido.

  • Quais processos a erva passa até chegar o consumidor final?

Disjointed série da Netflix sobre um dispensário no Colorado (EUA)

Onde passa boi, passa boiada. Do mesmo jeito que passa os quilos de cocaína, armas contrabandeadas, animais silvestres e vários produtos piratas. A erva está neste patamar de consumo no Brasil. Uma curiosidade que poucos sabem, é que mesmo tendo a folha a principal ferramenta de divulgação, na realidade  o que ‘se fuma’ é a flor. Após a colheita não é preciso nenhum tipo de refino (processo químico de alteração de conteúdo). Em muitos lugares do Brasil, a qualidade da higiene é muito ruim, muitas vezes são plantas que precisaram passar por prensagem e até misturada com outras cargas para serem transportadas. O plantio independente e os grupos de cultivo são alternativas utilizadas em cidades que já legalizaram o consumo.

  • Quais os benefícios à saúde já foram realmente comprovados?

Nos anos 30 a Indica era vendida comercialmente em frascos como homeopático. Aí depois os gigantes do álcool e industria farmacêutica convencional convenceram os políticos da época que podia desenvolver problemas de memória e excessiva dependência. A fome e bom humor (efeito hilariante), parece fácil para uma pessoa comum, mas é um prato cheio para quem está em tratamento de câncer  ou anorexia. Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa já estão bem avançados em relação à maconha medicinal. O uso recreativo não é visto negativamente, mas claro, saúde não se brinca né? A Canabis Indica é fonte de produção do canabidiol, um óleo usado também para redução de convulsões e doenças que afetam a coordenação motora. Sim, uma cuida do corpo e outra cuida da mente.

  • Porque falam maconha do tipo skunk?

Vamos supor que a maconha, aquela que cuja a folha é mundialmente conhecida seja uma primeira edição, criada por Deus. Com o passar dos anos, os experimentos genéticos fizeram com que outros cruzamentos sucedessem outros resultados. O Skunk é tipo isso, uma versão com maior concentração de THC. Quem entende de plantas sabe o que eu tô falando sobre esse lance de cruzamentos. Em locais cuja a erva é legalizada, os dispensários também podem ser produtores de novas plantas. Esses estudos conseguem equilibrar o efeito com a necessidade do usuário.

  • Tenho vontade de usar mas não quero cometer nenhuma infração, como faço?

Lute pelo debate! Junte-se a quem está militando por esta causa. Sim, vai muito além de um "fumar um baseado". É uma questão de saúde, segurança e educação. Tudo que mais a gente pede na sociedade. Atualmente a erva é proibida para consumo, existe um risco e fazer uso.

Jogar as sementes na terra e esperar a natureza agir ainda é inviável, é preciso recorrer ao crime organizado. A figura da boca da fumo ainda existe, principalmente nas periferias, as comunidades viram refém dos criminosos na melhoria da qualidade de vida em troca do livre comercio sem denuncias.

Por que eu estaria aqui contando essas coisas pra vocês e correndo esse risco? Acha que eu quero deixar minha saúde na mão do SUS  ou dos mercenários planos de saúde? Noway! Quero evitar ao máximo essa rotina de pílulas. Unicamente porque não me sinto totalmente confortável com isso. A droga mais procurada da cidade, mais apreendida e pelo visto só perde da cocaína no ranking das mais vendidas. Muita gente está nesse negócio, o status social de fazer parte de uma facção funciona como uma grife no ramo das oportunidades. Se olharmos os noticiários diários, este cargo tem sido ocupado por pessoas de classes média e alta, em situações acima de qualquer suspeita. Delivery e toda a conveniência possível.

  • Bolos e doces feitos com maconha realmente dão efeito?

Totalmente mas demora um pouco para agir. Mesmo em guloseimas ela não perde o sentido agregador. Melhor dividir com seus amigos. O brasileiro Gustavo Colombeck se mudou para o Uruguai e promove jantares canábicos até para idosos. Quem não tem costume pode fazer o uso moderado, tipo um brigadeiro ou um pedaço de um brownie. Não subestime a gastronomia. A junção de açúcar + canabis é reduntantemente deliciosa.

  • Como posso consumir maconha sem precisar fumar? 

O método da Infusão em alimentos como um chá. Quem já aprendeu a fazer uma manteiga de ervas pode usar a cannabis para temperar as receitas. O mercado já produz uns vaporizadores, que funcionam como aquele nebulizador, livre de papel.

Renata Paula

Author: Renata Paula

Jornalista profissional, editora de conteúdo do Portal Xibé e repórter nas melhores horas.

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