Instalação no Lugar Uma faz metáfora de meio ambiente em crise

Os espaços do Lugar Uma de Artes se transformam em ecossistemas de um bioma simbólico na instalação/ocupação “A/TEAR”, a ser aberta neste sábado, dia 7, às 19h. O trabalho reflete sobre a crise ambiental e seus efeitos em Manaus, propondo aos espectadores uma experiência imersiva e sensorial instigante. instalação/ocupação no espaço cultural do Centro tem visitação gratuita e integra agenda da Ocupação Lugar Uma, contemplada pelo Prêmio Manaus de Ocupação Artística 2015, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).ATEAR-03 Com curadoria de Priscila Pinto, “A/TEAR” é uma criação coletiva de Pity Passos, Paulo Holanda e João Chagas. Com o trabalho, os jovens  criadores expressam a preocupação com a problemática ambiental de hoje em Manaus, com elevado número de queimadas e fumaça sobre a metrópole. O título da criação traz uma referência dupla ao verbo “atear”, com o significado de “pôr fogo”, e ao instrumento “tear”, que combina linhas em tramas entrelaçadas. “É uma relação entre a trama da vida e as relações de construção e destruição”, afirma Priscila, também artista visual. “Para nós é visível que a fumaça decorre da degradação ambiental do entorno, da falta de políticas públicas para o meio ambiente”. A partir dessa relação, Pity, Holanda e Chagas propuseram uma obra em três ambientes, interligados por linhas expandindo-se pelas paredes e pelo chão. Ao lado de tecidos e fitas adesivas, troncos, paus, cipós, sementes e carvão foram usados para compor espaços multissensoriais. “Os artistas convidam o espectador a fazer um percurso, seguindo as linhas até um elemento surpresa, que cada um verá por si mesmo. Nesse caminho, cada pessoa vai visualizar, sentir e interpretar esse trajeto à sua própria maneira”, explica a curadora. O processo de criação de “A/TEAR” iniciou no último dia 26, com a discussão de propostas, seguida pela coleta de material – incluindo-se aí sementes, galhos e troncos colhidos na área das rodovias entre Manaus e Iranduba e Rio Preto da Eva. O material coletado por Pity, Holanda e Chagas incluiu ainda resíduos da recente e polêmica derrubada de árvores na área do Campus da Universidade Federal do Amazonas, onde os três fazem o curso de Artes. “Quem está na instalação pode não saber, mas para os artistas isso tornou o processo mais rico, mais verdadeiro”, assinala Priscila.ATEAR-01 A instalação, acrescenta Priscila, tem ainda um caráter “ambiental”, sensível à ação dos espectadores. “Sementes e carvão vão se quebrar, virar fuligem e manchar o espaço. Os visitantes vão levar essa sujeira para a rua. Tudo lá dentro terá consequência lá fora, e vice-versa”. A proposta do trabalho, afinal, segundo a curadora, é dar ao visitante “a percepção de que tudo está interligado”. “Causas e consequências devem ser refletidas nas nossas escolhas cotidianas, pensando no futuro da humanidade”, diz. A instalação/ocupação “A/TEAR” ficará aberta para visitação gratuita até o dia 21, todos os dias, das 14h às 17h30. QUEM SÃO Pity Passos, Paulo Holanda e João Chagas são jovens artistas e estudantes do curso de Artes Plásticas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Os três dividem a criação da instalação/ocupação “A/TEAR”, com curadoria de Priscila Pinto. Priscila Pinto é artista visual, escritora e professora do Departamento de Artes da Ufam. Artista mapeada pelo Itaú Cultural (2005-2006), tem obras nos acervos da Pinacoteca do Amazonas, Prefeitura de Manaus e Galeria do Centro de Artes da Ufam. Tem dois livros publicados. SERVIÇO Instalação/ocupação “A/TEAR”, dos artistas criadores Pity Passos, Paulo Holanda e João Chagas, com curadoria de Priscila Pinto No Lugar Uma de Artes, avenida Joaquim Nabuco, 1.436, Centro Abertura no sábado, dia 7 de novembro, às 19h; visitação até o dia 21, sábado, todos os dias, das 14h às 17h30 Entrada gratuita
Redação

Author: Redação

Share This Post On
468 ad