Eu amo o Brasil

Brasil01Ando engasgado com minhas próprias palavras. Outro dia, assim de súbito, lancei no papel em branco todos os meus desaforos contra o Brasil que tanto amo. Ainda impressionado com a horrenda descrição que pareceu enterrar de vez minha nação - volto aqui buscando nestes versos as outras faces  do Brasil. Sem falar de política, pois é de onde provém a intemperança que me envenena os versos e a esperança. Assim, de modo corrido apresento meu antídoto, vou buscar na memória todas as glórias deste Brasil dos meus antepassados, do meu avô, dos meus pais, esse Brasil amigo, o Brasil do meu e de nossos filhos. Aqui por estes lados, bem recordo do primeiro índio, um cacique muito esperto que indagou logo de cara as ambições descaradas da coroa portuguesa; - Para onde vão com toda essa madeira? Perguntou à Pero Vaz de Caminhas. Puxando na memória este é o primeiro Tupiniquim que enalteço. O conheci entre os versos e prosas de outro excepcional Brasileiro – o ilustre e querido Darcy Ribeiro. Dando um pulo, pegando assim de memória, chego nas Minas Gerais  recordando da valentia de um certo rapaz que morreu lutando por grandes ideais. Na escola me fizeram decorar seu nome para esquecer sua história. Mas nem adiantou, depois fiquei sabendo, Joaquim José da Silva Xavier este nobre inconfidente. Desde muito cedo  rebelou-se contra o império por defender ideais de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Os séculos dos homens ditos civilizados eram muito bem contados por aqui quando os vagabundos da Coroa Portuguesa, fugindo de Napoleão vieram para este lado do atlântico  trazendo essas manias que redundam naquilo que publiquei e quero superar. As praias em tons de verde e azul. Montanhas, florestas. Serrados, caatinga, fauna e flora desta terra. Climas de todos os gostos. Gosto de todos os sabores. Temperos doces e apimentados. Peixes nas águas dos rios e dos mares. Terra para plantar, para colher ou simplesmente recolher. Pássaros de todas as cores, cores de todos os tons. Rios caudalosos e riachos sinuosos. Cachoeiras e  castanheiras.  Além da natureza exuberante, toda essa gente que mesmo sem que eu conheça pessoalmente, sempre trago na cabeça. As domésticas, os operários, essa gente que limpa sapatos. Que vai trabalhar em ônibus e trens lotados. Essa gente que rir e faz rir o tempo todo. Fazem samba na praça. Do churrasco, do futebol e das conversas fiadas onde tudo vira piada. O Brasil de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Zumbi dos Palmares e de Tupã. Dos Carajás, Tupiniquins, Guaranis, Pataxós, Tucanos, Yanomami - Aleijadinho. Chiquinha Gonzaga - do maestro Heitor Villa Lobos. E o pai da aviação, Santos Dumont. Dos nordestinos trapalhõesretirantes da seca que ajudaram a construir o Brasil. Lembro do Diamante Negro, Leônidas da Silva, da malandragem gentil de Noel Rosa, e por que não, da Portuguesinha-Brasileira – Carmem Miranda – do anjo negro Pixinguinha à quem muitos diziam “Este homem é um poema”. Das mulheres cantadas por Tom Jobim e Vinicius de Moraes.  O rock dos Mutantes, a Tropicália, os Trapalhões. Chico Anísio. Paulo Autran, Fernanda Montenegro. Os Filmes do Glauber Rocha. Os documentário do Eduardo Coutinho. As cirandas do nordeste, o boi bumbá de Parintins. Os caipiras do grande sertão brasileiro. Grande Otelo. Amácio  Mazzaropi.  Sebastião Salgado. Miguel Nicolelis. Araci de Almeida, Nelson Gonçalves . Di Cavalcanti e Portinari. Das alegorias de Joãozinho 30. Da obra completa de Nelson Rodrigues o maior dramaturgo que esse país já teve. Isso é apenas o que coube em um instante fugaz. Alguém que ama com toda força seu país. O Brasil dessa gente aguerrida que batalha todo dia. Essa gente esquecida pelo Estado que te recebe em casa de madeira. Teto de palha e chão de barro. Do pescador que te oferece peixes quando chega no interior da Amazônia. Dos garotos que procuram te agradar com toda sorte de frutas e surpresas da natureza. Por sorte ou destino já pude atravessas esse país de Leste a Oeste. Norte a Sul. Entrei e sai do Brasil pelas fronteiras mais distintas. Uruguaiana-(RS), Foz do Iguaçu (PR), Assis Brasil (AC), além do Aeroporto Internacional de Guarulhos onde embarquei em vôos para além mar. Somando toda essa história que bebi e comi junto com minhas experiências de vida tenho plena certeza do meu amor pelo Brasil. Sou jornalista por formação e cidadão graças à minha família e amigos de jornada. Repreendo com veemência aqueles circulam e frequentam  os mesmo corredores que os mandatários desse Brasil. Fico indignado com o essa geração atual e todas as outras que infestam ou já infestaram a República. Porém, contudo, consigo sim, erguer o peito e defender meu país sobre todo e qualquer parâmetro diante de quem possa ou tente desmoralizá-lo pelo simples prazer da vilania. Brasil eu te amo dentro e fora. Já me peguei chorando em lugares distantes, tão distantes que mal posso imaginar. Acordei à noite querendo falar em bom português. Em mesas fartas de cores e sabores estrangeiros implorei pelo arroz com feijão. O sabor da farinha no caldo de galinha cozida (eu nem gosto de farinha) assim como não gosto dos políticos que ai estão. Mas de antemão eu lhe revelo meu Brasil. Posso ir ao Japão mas sem perder a graça de ter nascido nesta imensa nação.  
Bruno Marzzo

Author: Bruno Marzzo

Alguém que colheu tudo que plantou. Mas não plantou tudo que colheu! Não entendeu? Relaxa, isso não fará a menor diferença por enquanto! Site: http://brunomarzzo.blogspot.com.br/

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