Carnavalescos e Espiritualescos:  Um convite ao bom senso na prática da liberdade

Quando se cogita sobre o que define e caracteriza a festividade do carnaval, logo chegam à mente atribuições como orgia dos instintos, bacanal de vício, suruba de exageros, bordel das pulsões, comemoração das carnalidades, de modo que, não raramente, pessoas que aspiram e buscam fugir dessa Gomorra Social, nesse período, encaminham-se a retiros espirituais no intuito de se desvencilharem e fugirem de todas essas imoralidades e corrupções a macularem e degradarem a natureza humana. 12647014_947442628658291_8521512894167301291_n Todavia, essa atitude escapista e monástica de quem julga haver pura, exclusiva e absolutamente existir somente a dimensão e finalidade da degeneração e desvirtuamento da moral e do corpo em se tratando de se “cair da folia” e “ir para pista” na celebração carnavalesca, por si só, denuncia uma contradição de termos e de propósito postulada pela compreensão de Jesus acerca do que se constituía como verdadeira festa da carne. Primeiro que, ao contrário das mentalidades e normatizações gregas, dominantes tanto no mundo antigo quando contemporâneo, que, via de regra, impunha dicotomia ao mundo, isto é, fazendo separação e distinção total das esferas corpórea e espirituais, material e insubstancial, objetiva e subjetiva, prazer da carne e elevação do espírito, ao passo que o conceito básico e central da fé cristã acredita na realidade do Verbo(Logos/Espirito Absoluto/Essência Existencial/Substrato Cósmico/Razão Universal/Divindade Suprema) vestir-se da condição humana, penetrar na fisicalidade dos mortais, mergulhar na estrutura da matéria, antropologizar-se com face, membros, sentidos, sensações, desejos e raciocínio próprias da humanidade. Por isso o Jesus bebe vinho (que diferente do que se diz, continha sim teor alcoólico, além de provavelmente também degustar a “cevita”, a cerveja comum em sua época introduzida pelos romanos na cultura judaica), frequenta festa onde se dançava, falava-se alto e onde se reunião só as “peças” e “figuras” boêmias da cidade(publicanos, meretrizes e pecadores) , comia uma boa pratada de comida, e a tudo isso vivia e absorvia sem culpas, neuroses ou ataque surtados de santidades adoecidas por não saber-se distinguir entre está em carne e sob a carne. Sem muita embromações e rodeios, está na carne (na condição humana) é ser grato e se permitir usufruir e experimentar os bons e necessários prazeres, gostosidades, deleites, gozos, satisfação e aprazimentos da vida com bom senso, propriedade e responsabilidades, e não cair em separatismos ideológicos e doutrinários entres o sacro e o profano, entre os santo e mundano, entre corporeidade e espiritualidade. Por outro lado, está sob carne, recorrendo a um texto cristão que despe e desnuda com clareza e objetividade essa questão, se caracteriza em existir e se conduzir em antagonismo e contradição de tais ações e sentimentos que apenas demostram verdadeira humanidade: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22). Ou seja, na vida e prática de Jesus a festa da carne era se entregar ao ódio, a depressão, a aflição, a contenda, a crueldade, a falta de confiança, a violência e a extremismos, visto que tudo isso coloca a pessoa na condição de estar sob a carne (inclinações autodestrutivas do ser). Já quanto a beber, dançar e paquerar, bem, isso cada um deve saber a hora e os modos, o tempo e a proporção, o momento de começar e parar, e até onde deve ir, pois como diz o velho ditado toba de bebum não tem dono, assim como se expor aos excessos e deixar de ter o mínimo de autocuidado e amor consigo e com o próximo não tem como gerar outra situação se não atos anti-vida e pró-morte. Assim que a alegria feita de comedimento e euforia que não abdica da maturidade sejam as balizes e norteamentos a seguir cada um e a todos nesse carnaval. No mais apenas restam ressacadas físicas e morais quando a quarta chegar. E quem festeja não considere careta quem não cai na gandaia e quem prefere ir para o mato ou sítio se isolar não culpabilize aqueles que optam em permanecer nos embalos das festividades. Bom carnaval a todos os amigos e irmãos Daniel Fredson.

Presidente Figueiredo, Sábado de Carnaval de 20016

Author: Daniel Fredson

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