“Artistas não devem se meter em politica!” Belchior já nos dizia o contrário
set02

“Artistas não devem se meter em politica!” Belchior já nos dizia o contrário

A Palo Seco, ontem e hoje. "Se você vier me perguntar por onde andei No tempo em que você sonhava De olhos abertos, lhe direi Amigo, eu me desesperava Sei que assim falando pensas Que esse desespero é moda em '76 E eu quero é que esse canto torto Feito faca, corte a carne de vocês E eu quero é que esse canto torto Feito faca, corte a carne de vocês" Começo esse modesto texto blogueiro, deste modesto artista autoral manauara, que ousou em escrever algo mesmo sem saber escrever, longe de mim dar uma de jornalista de boteco. Eu que diversas vezes fui subestimado nesse sentido, eu que diversas vezes escutei esse mesmo jargão, às vezes em tom de histeria e determinação de comportamento, de algum formador de opinião do Facebook, que provavelmente é mais um senso comum que cultivou muitos discos, que cultivou muitos shows de bandas antológicas, mas nunca entendeu nada sobre as letras e sobre os conceitos, dessas bandas e desses artistas. Neste trecho especifico, Belchior nos deixa bem claro a situação política da época: Ele quer que machuque, que corte, que deixe marca. Ele canta "A Palo Seco" para que nós, que o ouvimos, sejamos atingidos por suas palavras. Ele tem esperança de que faremos alguma coisa, se esse canto consiga chegar nos nossos corações as nossas razões, a nossa consciência de classe. Pra entender melhor o que é a "Palo Seco" vou contar um pouco sobre a história da música. Na verdade, fazendo uma breve busca na internet, não é difícil encontrar que... Palo: é o nome que se dá as sub-classificações do Flamenco. Dentre os principais palos flamencos destacam-se a Seguiriya, a Soleá, a Bulería, a Alegría, a Rumba, o Tango, o Fandango e a Sevillana. O Martinete é considerado o palo mais antigo, chamado a palo seco, ou seja, sem acompanhamento de violão. Para explicar a canção, recorremos a o poema de João Cabral de Melo Neto "cante do meu cante" que se remete justamente a essa descrição de a Palo Seco "Se diz a palo seco o cante sem guitarra; o cante sem; o cante; o cante sem mais nada; se diz a palo seco a esse cante despido: ao cante que se canta sob o silêncio a pino." "O cante a palo seco não é um cante a esmo: exige ser cantado com todo o ser aberto; é um cante que exige o ser-se ao meio dia, que é quando a sombra foge e não medra a magia." "Eis alguns exemplos de ser a palo seco, dos quais se retirar higiene ou conselho: não o de aceitar o seco...

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