Resenha – Cinderela
abr07

Resenha – Cinderela

Ser fã de cinema em Manaus é complicado. Você praticamente se vê obrigado a assistir filmes dublados. De uns tempos pra cá 80% dos filmes que entram em cartaz nos cinemas locais são filmes dublados e eis que me deparado com o filme Cinderela, um filme Disney e teoricamente infantil, veio com cópias legendado. Normalmente classifico os filmes entre "Vale a Pena Assistir no Cinema" e "Da para esperar chegar na TV", Cinderela é um desses filmes, obviamente dava para esperar, mas por falta de opções de filmes legendado, me critiquem se quiserem, fui assistir. Adaptações Live Action nem sempre são bem sucedidas, as vezes peca-se muito pelo excesso, as vezes peca-se muito pela falta, Cinderela fica no meio disso tudo. Não espere um filme fiel a animação de 1950, na versão em carne e osso de Cinderela, porém, o roteirista Chris Weitz foge à nova regra de transformar a personagem principal em uma empreendedora e/ou em uma heroína destemida, nesse ponto o bom diretor Kenneth Branagh acertou a mão.  Kenneth Branagh dá pompa ao conto de fadas, seguindo o estilo das suas adaptações shakespearianas. Sob sua direção, os cenários e os figurinos (assinados por Dante Ferretti e Sandy Powell) ganham um quê teatral. Tudo é artificial, das paisagens aos dentes brancos do príncipe. Branagh, contudo, sabe coordenar todos os elementos às suas mãos e casa o visual exagerado com a história e as atuações, criando uma peça genuína com ingredientes falsos. Lily Jamesnão me convenceu como Cinderela, apesar da bondade da moça ser fiel a animação, na grande tela fica muito artificial. Richard Maddencomo o príncipe é outro que deixou a desejar, no fundo são personagens fracos e sem motivações, motivações essas que chegam a ser bobas em certos momentos. Helena Bonham Carter é uma boa fada madrinha, mas confesso que senti falta da música. O ponto alto do filme é a vilã vivida por Cate Blanchett, linda e atuando de forma impecável ela rouba a cena quando aparece na grande tela em figurinos deslumbrantes, ela convence de forma extraordinária como uma mulher amargura que enterrou dois maridos e tem duas filhas desmioladas, as boas atrizes Holliday Grainger e Sophie McShera, essas duas, aliais, que fazem um bom papel de irmãs que se odeiam, mas precisam uma da outra. No fim das contas Cinderela é um filme razoável, mas poderia ser melhor. Minha nota? 2...

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Resenha – A Teoria de Tudo
mar22

Resenha – A Teoria de Tudo

A Teoria de Tudo é a cinebiografia de um dos maiores gênios da ciência moderna. Stephen Hawking está na história pela suas teses e pela luta que trava com a doença de Lou Gehrig. A história contada pelo diretor James Marsh é simples e sem rodeios, não espera um filme que explique melhor suas teorias ou os pensamentos de Hawking sobre A Vida, O Universo e Tudo mais (entendedores entenderão), o filme trata da vida dele, sendo boa ou não. Conhecemos Stephen (Eddie Redmayne) já na universidade a beira de escolher seu tema de doutorado. Os primeiros passos da vida acadêmica do protagonista são retratados sem estrelismo. Há dúvida sobre as capacidades do futuro professor, mas fica clara a genialidade escondida por trás dos óculos sempre tortos, em determinado momento foi capaz de responder um questionário extremamente difícil para seus colegas, mas que para ele era simples, a ponto de escrever no verso de um panfleto os resultados. Você podia esperar que o filme falasse sobre a doença dele, outra vez enganado e aqui faço um parêntese, pois dou crédito ao diretor que, não humilde opinião desse aspirante a critico, não fez um filme piegas e clichê, onde teríamos pena do personagem boa parte do filme. Pelo contrário, James Marsh constrói um filme de caráter, claro que não foi fiel a vida do cientista, mas que cinebiografia é?! A fotografia do filme é estupenda e takes de câmera de tirar o fôlego e casam bem com os momentos em que Hawking tem seus devaneios de genialidade. Felicity Jones me convenceu como a primeira esposa dedicada e apaixonada pela inteligência de Hawking, pois quando ele é diagnosticado com a doença poucas mulheres ficariam do seu lado por tanto tempo e lhe dariam 3 filhos, sim meus amigos, ele teve filhos inclusive quando estava bem debilitado e preso a uma cadeira de rodas. Eddie Redmayne da um show a parte e carrega o filme nas costas com sua melhor interpretação e digna do Oscar de Melhor Ator, pois deve ser horrível você ter um sentimento dentro de si e ter somente uma voz mecânica para expressa-los e são nos olhos de Eddie Redmayne que a carga dramática e a magia acontece. A história foge do assunto segunda esposa, pois foi onde Hawking sofreu mais abusos, claro que está lá, mas conhecemos pouco da historia do casal. A escolha de focar no romance entre Hawkings e Wide tem êxito pela química entre Felicity Jones e Redmayne. No final das contas A Teoria de Tudo, podia mais. Podia muito mais. Minha nota? 3 xibés está de bom tamanho. ...

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Resenha Whiplash – Em Busca da Perfeição
mar12

Resenha Whiplash – Em Busca da Perfeição

Salve meus amigos leitores, desculpe a ausência por essas semanas, estive solucionando uns problemas pessoas, mas já estou de volta. O Oscar já passou mas vou continuar com a série de resenhas sobre os filmes concorrentes da categoria de Melhor Filme. Minha resenha para o vencedor pode ser conferida aqui. No post de hoje, vamos a resenha de Whiplash - Em Busca da Perfeição. O solitário Andrew (Miles Teller, esse garoto tem futuro) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Ele frequenta a escola Shaffer, considerada a melhor escola de musica dos Estados Unidos. Andrew é o retrato de todo músico que sonha em viver de música, disciplinado ao ponto de não querer envolver-se em um relacionamento achando que isso atrapalharia seu desempenho como baterista. O diretor Damien Chazelle foge do clichê de "o amor me ajudará a superar as dificuldades" e isso pra mim foi o grande ponto alto do filme. JK Simmons DESTRÓI TUDO como o "nazista" e impiedoso mestre de jazz Terence Fletcher e mereceu o oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Simmons foi tão fundo que em certos momentos a convivência do maestro com sua orquestra é tão abusiva que podemos parar e pensar: Será se isso tudo vale a pena!? Machucar as mãos, sofrer um acidente e/ou tornar-se estúpido e grosso com todos é o calvário que todo aspirante a músico deve passar?! Para Andrew TUDO isso vale a pena, em um poster em seu quarto está escrito: "Quem não tem talento monta uma banda de Rock", eu ri na hora. Eu não acredito nesse poster, mas acredito que existam mestres que são iguais ao personagem de Simmons, que acham que sendo desse jeito, extrairiam o melhor de seus pupilos. De todos os candidatos ao Oscar de Melhor Filme para mim é o mais equilibrado, quem gosta de musica, seja em qual estilo for, vai adorar esse filme, principalmente tentando achar o TEMPO certo que Fletcher exige de Andrew. Minha nota? 5 xibés e foi muito...

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Birdman – A Inesperada Virtude da Ignorância
fev10

Birdman – A Inesperada Virtude da Ignorância

Se pudéssemos saber como é a mente de um ator de Hollywood, Birdman seria a resposta. Em vários momentos da trama o personagem de Michael Keaton pede música ao fundo e luzes também, como se andar pela calçada fosse um ato digno de um filme. O filme nada mais é que o vislumbre de como os atores pensam e agem durante o dia a dia e como alguns se perdem em seus personagens. A trama é simples e até mesmo um pouco batida, mas o diretor Alejandro González Iñárritu deu um novo ponto de vista. Riggan Thomson(Michael Keaton) um ex-ator de cinema, famoso por interpretar um icônico super-herói, chamado Birdman, que monta uma peça na Broadway para tentar reconquistar suas glórias passadas. A trama se passa no transcorrer de três dias, em que o ator lida com problemas com a família e a carreira. Durante o longa o personagem de Michael Keaton conversa consigo mesmo em vários momentos, na verdade é a voz de Birdman que ouvimos. Sim, Birdman é na verdade uma faceta de uma outra personalidade de Riggan Thomson, personalidade essa que é melancólica, egocêntrica e depressiva. Alejandro González Iñárritu constrói um filme coeso, mas peca no eterno plano sequencia que o filme apresenta. Adoro planos sequencias, eles mostram o quanto o diretor é bom, mas tudo em excesso cansa, e é assim que me senti depois do longa, a câmera fica flutuando em volta dos personagens e constrói excelentes takes, os cortes existentes são sutis e você mal percebe, mas estão lá, mas em certa altura eu senti falta de alguns cortes e outros ângulos de câmera, acredito que isso enriqueceria ainda mais o filme. Michael Keaton não carrega o filme nas costas, mas é o ponto alto do filme, Naomi Watts me convence como a atriz insegura e esclerosada. Zach Galifianakis o advogado/produtor/melhor amigo finalmente mostrou que sabe fazer outra coisa além de personagens "engraçados e drogados", Emma Stone parece que saiu diretamente do filme The Runaways - Garotas do Rockfaz a assistente/filha sem graça do personagem principal e claro temos Edward Norton que rouba a cena fazendo uma versão dele mesmo, sim meus amigos Edward Norton é aquilo ali que vemos em Birdman, extremamente difícil de se trabalhar e maluco. No final das contas Birdman é uma grande crítica a todos os atores que pensam que estão acima de todos e são deuses entre mortais. Minha nota são 4 xibés. Talvez o favorito a vencer o Oscar de Melhor filme desse...

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Boyhood – Da Infância a Juventude
fev04

Boyhood – Da Infância a Juventude

Considerado épico por uns e overrated por outros, na humilde opinião desse amante de cinema, Boyhood - Da Infância a Juventude é um excelente filme, um filme sobre A VIDA. Filmado ao longo de 12 anos, sim meus amigos 12 anos filmando um único filme, a película conta a história de um casal de pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seu filho Mason (Ellar Coltrane). A narrativa percorre a vida do menino durante, da infância à juventude, e analisa sua relação com os pais conforme ele vai amadurecendo. O diretor do longa é o bom Richard Linklater, de filmes como Escola de Rock, Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol, Antes da Meia-Noite e Bernie: Quase um Anjo. Apenas para contextualizar, a ideia de gravar por longos períodos os mesmo atores não é inédita, há, claro, precedentes no Cinema: a série Up, de Michael Apted; os longas dirigidos por Truffaut e estrelados por Jean-Pierre Léaud (como Antoine Doinel); e Todos os Dias, de Michael Winterbottom – que, como conceito, talvez seja o mais similar a esta obra de Richard Linklater por ter sido rodado ao longo de cinco anos. Boyhood é road movie no qual a estrada é o passar do tempo: aqui e ali fazemos paramos, conhecemos novos personagens e situações e, então, seguimos em frente amadurecidos pelos acontecimentos. Mason(Ellar Coltrane) teria todas as motivações de ser um cara rebelde, filho de pais separados e sempre em constante mudanças, por conta dos relacionamentos fracassados da mãe, nosso querido Mason é um tanto quanto taciturno e macambúzio,  mas nunca rebelde. Ele vive cada dia de forma simples e passa por situações normais do cotidiano de qualquer criança/adolescente/adulto. Sem ser clichê o diretor foge do óbvio e deixa as coisas subentendidas em vários momentos do longa, como o bullying sofrido por Manson, a surra que levou do padrasto por ter respondido e os amigos deixados pelo caminho. São essas experiências que parecem banais, mas são cheias de significado, que dão a Boyhood seu brilho. "Eu queria mostrar os momentos de amadurecimento que vemos nos filmes, mas numa produção só. Queria capturar como lembramos da vida, como o tempo passa. Não queria uma história dramática, às vezes há momentos dramáticos no filme, como acontece em nossas vidas, mas não é assim na maior parte do tempo. Tentamos ser o mais próximos possível da realidade", afirmou o diretor na coletiva após a exibição. A história é um paradoxo,  nada de extraordinário para contar, apenas a vida, que é algo extraordinário. E cá entre nós, viver é ,de fato, algo singular. Ou parafraseando uma das falas do filme a vida se...

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