O cara médio e o verdadeiro caminho da força!
fev07

O cara médio e o verdadeiro caminho da força!

Era uma vez um cara muito, muito médio, assim olhando de fora. Tinha um monte de irmãos, como se costumava ter naquela época. Gostava muuuuuito de quadrinhos, acompanhava, colecionava, imaginava e fazia as vozes, especialmente dos vilões, conhecia as histórias... como bastante gente naquela época. Era bonito de uma maneira como muitos são, lá de onde ele veio, e nem alto era. Casou com 27 anos e para sempre. Tem amizades da vida toda. Procurou trabalhar no que gosta, ciente das incertezas desse tipo de decisão, mas né? Dependia dele fazer funcionar e, placidamente, ele o fez, cara médio que era. Por fora. Por que este cara, bebezinhos, é simplesmente o cara que fez Luke Skywalker, a nova esperança, o último Jedi.  Pois é. Por padrão deste mercado, ele podia ser um babaca, bêbado, pegador. Ele foi marido e pai. Ele podia só replicar o Luke para sempre e fazer vários papéis parecidos no cinema, de herói-tchutchuco-o-escolhido-do-bem. Ele escolheu trabalhar com as vozes que ele fazia, de atuação como Amadeus na Broadway até dublagens do Duende Macabro nas séries do Homem Aranha e vários Coringas nos desenhos e séries e jogos, como o Arkham Asylum e Arkham City. Ele podia seguir o rumo para o qual ele seria naturalmente empurrado, mas ele serenamente ignorou o empurrão e seguiu sendo ele mesmo. Sacaram? Aeeeee. Chegamos. Lembra que eu sou enrolona? Pois. O entorno, o ambiente, até nossa aparência, às vezes, criam expectativa a nosso respeito. Quem não nos conhece imagina quem nós somos, com base no pouco que vêem. Cara, o cara é um anjo, um herói épico, domina a Força, ele TINHA de FLUTUAR SOBRE NÓS fechado no preto como no Retorno de Jedi, olhando pro horizonte... Mas não, ele NÃO TEM que fazer nada disso. Ele tem de fazer o que ele gosta, o que ele acha certo, o que ele acha bom. Ele, e nós, jovens padawans, não temos que preencher a expectativa de ninguém, e isso não é uma declaração de rebeldia, porque rebeldia parte de algo, vai na direção oposta a um referencial. Aí é que está. Se o referencial não é SEU, não carregue ele por aí. Resuminho da ópera (e eu DE VERDADE queria ter visto ele em Amadeus, falando nisso), não abandone quem você é, não imite, não ouça e não ceda, não siga o passo alheio, não acredite no que pensa quem mal lhe conhece. Sua história é muito particular, as condições que lhe levaram aonde você está, as decisões que vc tomou, o que vc acha importante, o que lhe faz feliz... quem mais vai saber dessas coisas? Por exemplo, como é que...

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Eu to falando é de amizade!
out21

Eu to falando é de amizade!

Minha irmã não tem nada a ver comigo. MUITO nada. A coisa mais "metal" que ela gosta é Bon Jovi e eu acho “beleza” no refrão de Stain of Mind do Slayer. Ela chegou ao State Of Art em termos de selfie, de taaaanto se fotografar e eu gosto de tirar foto dos outros quando não estão esperando. Gosta de óculos de sol esportivos com "bordinha" (DEUS!, como pode?), e eu de estilo Jackie O dos grandões. Ela gosta do tipo cabelinho arrumado, polo, calças escuras e sapatênis, com óculos na cabeça cantando mansinho e eu sempre tive uma queda por tipos marrentos, estranhos, de bota ou tênis que cantam fazendo careta. Sabe o melhor de tudo isso? Ela é a melhor amiga que alguém pode ter. E pensar que não fossem meus pais eu JAMAIS descobriria isso.   Meu ponto é: Tem gente legal que é recheada de coisas que você acha não legais. Tem gente recheada de coisas legais que, olha só, não é legal. Você se aproxima das pessoas primeiro pelas circunstâncias. As afinidades decidem quem vai estar com você com mais frequencia. E aí vem a convivência. E é aí que a gente descobre.   Bagagem cultural é uma das coisas mais divertidas que alguém traz. São os elementos das piadas, das conversas, dos apelidos que se dá. Mas a natureza das piadas, a motivação das conversas, a intenção dos apelidos, isso é caráter. Isso está a quilômetros além.   Você precisa de amigos que reconheçam uma referência àquele desenho japonês. Você precisa de amigos que saibam onde fica o flutuante com o melhor tambaqui pós passeio de lancha. Você precisa de amigos que cantem o refrão da música com você. Você precisa de amigos que falem mal da mesma adaptação para o cinema que você e completem sua crítica com as mais torpes piadas depreciativas. Mais que isso, você precisa de amigos que consigam enxergar quando você está sendo rude por estar triste, e te obriguem a lidar com isso, superar e ficar melhor. Você precisa de amigos que te deixem à vontade pra dizer que eles estão com frescura ou com mimimi e isso não lhes abale. Você precisa de amigos que questionem quando você está julgando errado alguma coisa e lhe ofereçam outra perspectiva sem que isso lhe pareça um ataque.   Aproveite as pessoas que as circunstâncias lhe trouxeram... Esteja disponível para ouvir. Não se poupe de ser bom. Não se economize para o mundo. Vai que a pessoa é leal, generosa, é discreta sobre seus problemas, tem uma imaginação pra piada que você rola de rir, se preocupa de achar...

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O apocalipse zumbi
set05

O apocalipse zumbi

Ok, temos séries sobre zumbis, filmes sérios sobre zumbis, comédias, tema de festa, cosplay, tudo zumbi. A temática do morto vivo é uma tendência interessante do nosso zeitgeist. Mas não fazia ideia que tanta gente ia abraçá-la. É o advento do apocalipse, via rede de dados móvel. Não, eu não sou (que Deus me livre) uma evangélica extreme que vê o inimigo em cada pequeno avanço secular, como a telefonia móvel. Mas dou valor a conversar, a fazer coisas junto, a apreciar a paisagem. E isso as pessoas estão desaprendendo a fazer. Inclusive quase as irrita se vc tentar mostrar alguma coisa que esteja na frente delas quando elas estão no 9gag.com. Percebe a que ponto chegamos? Nunca foi tão real a frase de que a internet aproxima quem está longe e afasta quem está perto. Sim, pois a maioria de nós no fim do dia chega no conforto do seu wi-fi e não mais da sua casa. Chega ao ponto em que a pessoa sabe mais do que aquela desconhecida da academia almoçou, assistiu e do que ela reclamou do que como foi o dia da própria mãe, ou irmão, ou mulher. E não to falando de ter um grupo no Whatsapp ou acompanhar rede social das pessoas na sua casa... tem coisa que se posta porque soam bonitas, mas só o olho no olho diz de verdade o que incomodou, a melhor piada pensada que dá vergonha de escrever, o abraço... Atenção à vida real... Enquanto você imagina um colete tipo Call of Duty em vantablack, a louça não foi lavada. Você disse que ia ver aquela brother de há um tempão por esses dias, mas preferiu ficar em casa e fez uma colagem com as fotos de vocês em homenagem à amizade. Você nem cogitou dar uma melhorada na casa quando caiu uma grana extra, só pensando num Galaxy S5 resistente à água que dá pra responder se apitar no meio do banho. Você anda de cabeça baixa, olho vidrado e esbarrando nas coisas e pessoas. Você se incomodou com o que um colega postou na linha do tempo dele e botou um comentário rude e esqueceu que amanhã ele vai estar lá e vocês tem projeto pra entregar juntos. Você reclama que vive com sono e cansado, mas antes de dormir passa de quarenta a oitenta minutos dando boa noite pro face. Você está vivendo errado. Vc está morrendo pra vida real. Vamos levantar a cabeça pra vida real. Resolver as coisas. Conversar tête-à-tête. Olhar em volta o que está errado ou não bom o suficiente, agir e ver como é bacana fazer alguma coisa de...

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Pra quê tudo isso, gente?
set04

Pra quê tudo isso, gente?

Tive uma indisposição estomacal dia desses.  E sou durona... herdei o gene mutante do papai (bem como uma predisposição a um chulé satânico,  mas fica uma coisa pela outra) e pra resumir sou a Wolverine de Manaus, indestrutível por qualquer força terráquea. Mas né,  aquele risoto tentou... Eeeeee eu tive que comprar caixas inteiras dos dois remédios na receita. Destinadas a expirar na minha inútil gaveta de remédios depois de dois míseros dias de tratamento. E confirmando minha lendária resistência,  no final do primeiro dia já estava toda serelepe, pronta pra umas costelinhas de porco com pimentão e brócolis no alho e fettuccine. E é aí q eu queria chegar (dois parágrafos depois.. lamento confirmar q Fulana del Rey é meu alter ego mais enrolão. Sorry about that). Eu poderia ter comprado só seis comprimidos de um e quatro de outro, portanto. Eu poderia ter ido na farmácia e pedido exatamente assim. E o tiozinho ia pegar a caixa, me imprimia um adesivo reproduzindo lote e validade daquele remédio e o QR code pra eu ler a bula no telefone. E ia colar nos porta remédios pequenininhos, desses que se dão de brinde ou se vendem a um real, ou se eu fosse dessas aqueles q parecem uma estante em miniatura, e eu ia pra casa feliz,  por não me sentir nem desperdiçando nem enganada. Ia me sentir no futuro, quando todos seremos mais inteligentes e preocupados em fazer as coisas da melhor maneira. Várias indústrias - e no contexto específico desse post, a farmacêutica - podiam parar de tentar vender mais do que as pessoas precisam individualmente. Deviam parar de enganar aos outros e de desperdiçar a si mesmas. Dinheiro é o tipo de coisa que está em toda parte nesse mundão, ao alcance do bom e velho trabalho honesto e bem feito - e bem pensado. Ou será q a gente vai ter que criar comunidades pra trocar caixas usadas de remédios na validade? E falando nisso, alguém precisando de Floratil?...

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Fortuna Imperatrix Mundi?
jun28

Fortuna Imperatrix Mundi?

i say no, no, no. Chorei quando, em 02 de junho de 2014, começaram Paranoid, do Black Sabbath em pleno Teatro Amazonas - obrigada, Rocka!. E e Dream On do Aerosmith em Live and Let Die. E assim vai… Agora uma historinha sobre coerência, emoção e sobre se manter firme. Vi a Carmina Burana do Carl Orff no 02 de maio de 2011 no Teatro Amazonas com mi madre, e já tinha visto no Anfiteatro dos Povos da Amazônia uns anos antes, na Bola da Suframa. E me impressionou como da primeira vez - a percursão, o coro!!, as cordas, TUDO vibrava nessa caixa acústica toráxica aqui. Sei quase toda a letra do trecho Fortuna Imperatrix Mundi, É lindo. Eeeeee não concordo com NAAAADA daquilo.  Mesmo me emocionando esse tanto. Essa opereta (no offense, é mesmo pequena) é TODA sobre a brevidade da juventude, como se deve aproveitar, como é linda a primavera, as ninfinhas, os garotões... Pagã no último, e very hedonista. Só que ela começa e termina com o trecho trágico que embalou o Indiana Jones e o Templo da Perdição. Ou seja, ela faz da felicidade um breve momento de pico, que deve ser explorado até a última gota - bem como canta a saudosa Chá de Flores -, no meio de um pântano de tristezas. "Ó sorte, como a lua, sempre variável... Sempre crescendo e decrescendo, vida detestável (...) e já que a sorte dobra o forte, chorem todos comigo...." Pois é, me arrepia!, pq eu gosto de emoções bem colocadas e bem descritas, gosto do desespero ficcional alheio, me toca. No plano da realidade a coisa é bem mais Muzzle, do Smashing Pumpkins, e aquele senso de compreensão das coisas que só os melhores budistas ou as pessoas realmente felizes podem ter. "As all things must surely have to end" (todas as coisas devem certamente ter um fim) "i know that i am meant for this world" (sei que fui feito pra esse mundo) "my life has been extraordinary, blessed and cursed and won" (minha vida tem sido extraordinária, com suas bêncãos, maldições e derrotas) E é assim que é. Não é que somos atingiiiiidos por oooondas de coisas ruiiiins, porqueeeee Deeeeeus isso está acontecendo comiiiiigo, taaaaaaaaaals. É que coisas acontecem, e algumas podem ser excepcionalmente boas, outras bem ruins, e quem recebe a mensagem é que interpreta. Quando o homem parou de achar que um raio era algo que os céus mandaram pra ele! Porque ele teria feito alguma coisa terrível! e entendeu que as nuvens carregadas de vez em quando se batem mesmo e o choque produz descargas elétricas e é assim...

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