A puta que eu amo
ago07

A puta que eu amo

Me sinto obrigada a dizer que hoje me apaixonei de novo. Pela décima quinta vez essa semana. Trágico seria se não fosse pela mesma mulher. Ela é engraçada e sempre usa roupas menores do que seu estômago saltado. Fala pouco. Quase muda. Porém gosto quando ela conversa comigo usando as mãos. Gesticula muito bem. Sorri ás vezes. Suponho que seja para que eu volte a décima sexta vez. Ela não presta. Eu também não. É por isso que me faço acreditar que nascemos uma pra outra. A primeira vez que a vi não prestei muita atenção em seus detalhes. Só me recordo que usava os cabelos soltos – e sujos – como se estivesse escondendo a insanidade que carregava no olhar. Suas coxas grossas roçavam uma na outra, se pudessem sonorizar, com certeza aquele par de pernas seria capaz de produzi música melhor que Chopin. Suas unhas estavam borradas. Acho que ela anda muito ocupada para se preocupar com esses míseros detalhes. Gosto dela mesmo assim. A segunda vez que a vi foi engraçado. As mulheres que estavam do seu lado já não me faziam mais ficar em dúvida. A única certeza que eu tinha era ela. Como toda mulher, tinha burocracia. Passava por um homem e o entregava resquícios de dinheiro. O dinheiro fazia com que ele me desse uma chave. A chave do coração daquela mulher. Eu sabia que ela era minha. Quando ela abria as pernas sentia que ali era o meu lugar. Eu o fazia. Entrava e saía. Ela não esboçava nenhuma reação. E quando o nosso amor chegava ao fim, ela se vestia. Não mais de cinta-liga. Agora era um roupão. Lavava o meu portal da serenidade, voltava pra fila, colocava o cabelo na cara, fingia que sorria. Eu a deixava ali, pois sabia que meu dinheiro não dava para comprar aquela mulher todos os dias. Mas, eu voltaria, a visitaria. Aquela prostituta, é o amor da minha...

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