Poesia amazônica
fev12

Poesia amazônica

  Nas frondes da pupunheira o japiim   canta de seu alto e ovalado recanto.   Se eles se mudam dali, ai de mim!   Aos pares, revoada de araras. Avermelham dois açaizeiros no poente ao pôr-do-sol. Eu vivo. Autor: Eduardo Magalhães - Cearense e administrador de empresas, tem a ousadia de chamar seus rabiscos de...

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Vem sentar-te comigo, cunhantã, à beira do igarapé
jan03

Vem sentar-te comigo, cunhantã, à beira do igarapé

Título: Vem sentar-te comigo, cunhantã, à beira do igarapé   Vem sentar-te comigo, cunhantã, à beira do igarapé. Tranquilamente observemos o boiar do pirarucu E lembremos que também nós precisamos respirar. (Inflemos o peito). Inspiro de olhos fechados, beijas-me a testa. O sapo coacha, o grilo canta sua melodia E a borboleta abana a flor com suas asas leves. [Mas eles não recebem beijos quando respiram]. O Pajé e o Cacique contendam por ciúmes. Os nossos os deixemos ir pelo igarapé, Para além das negras águas espumantes, Aos pés das raízes submersas. Colhamos bananas, tucumãs e camu-camus. Comamos os frutos sendo gratos alegremente Por sermos curumim e cunhantã de anhangueras, Almas velhas em corpos novos. Olhemos os igarapés, a neblina e os rios E ouçamos as vozes dos deuses ecoando no trovão. O fumo do pajé vai para além das nuvens… (Chacoalhemos nossos maracás). Quer cacemos ou colhamos, sejamos como o tracajá. Porque o pirarucu continuará a subir para respirar, O grilo cantará, a borboleta abanará as flores E o gavião ainda caçará o guariba. Cantemos alegremente no banzeiro embalados, A vida ainda sopra na flauta de nossos corpos. De resto, passemos sossegadamente Fitando a cobra a trocar de pele, Pois estamos enrugados, não tarda a nossa própria troca. Beijas-me, então, uma última vez a testa. [Eu suspiro]. Esperar-te-ei chegar luminosa na floresta dos deuses Onde serás novamente a cunhantã deste velho curumim.   Poesia premiada no Concurso Jovem Poeta, da Prefeitura de Manaus, em...

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