Carnavalescos e Espiritualescos:  Um convite ao bom senso na prática da liberdade
fev08

Carnavalescos e Espiritualescos:  Um convite ao bom senso na prática da liberdade

Quando se cogita sobre o que define e caracteriza a festividade do carnaval, logo chegam à mente atribuições como orgia dos instintos, bacanal de vício, suruba de exageros, bordel das pulsões, comemoração das carnalidades, de modo que, não raramente, pessoas que aspiram e buscam fugir dessa Gomorra Social, nesse período, encaminham-se a retiros espirituais no intuito de se desvencilharem e fugirem de todas essas imoralidades e corrupções a macularem e degradarem a natureza humana.  Todavia, essa atitude escapista e monástica de quem julga haver pura, exclusiva e absolutamente existir somente a dimensão e finalidade da degeneração e desvirtuamento da moral e do corpo em se tratando de se “cair da folia” e “ir para pista” na celebração carnavalesca, por si só, denuncia uma contradição de termos e de propósito postulada pela compreensão de Jesus acerca do que se constituía como verdadeira festa da carne. Primeiro que, ao contrário das mentalidades e normatizações gregas, dominantes tanto no mundo antigo quando contemporâneo, que, via de regra, impunha dicotomia ao mundo, isto é, fazendo separação e distinção total das esferas corpórea e espirituais, material e insubstancial, objetiva e subjetiva, prazer da carne e elevação do espírito, ao passo que o conceito básico e central da fé cristã acredita na realidade do Verbo(Logos/Espirito Absoluto/Essência Existencial/Substrato Cósmico/Razão Universal/Divindade Suprema) vestir-se da condição humana, penetrar na fisicalidade dos mortais, mergulhar na estrutura da matéria, antropologizar-se com face, membros, sentidos, sensações, desejos e raciocínio próprias da humanidade. Por isso o Jesus bebe vinho (que diferente do que se diz, continha sim teor alcoólico, além de provavelmente também degustar a “cevita”, a cerveja comum em sua época introduzida pelos romanos na cultura judaica), frequenta festa onde se dançava, falava-se alto e onde se reunião só as “peças” e “figuras” boêmias da cidade(publicanos, meretrizes e pecadores) , comia uma boa pratada de comida, e a tudo isso vivia e absorvia sem culpas, neuroses ou ataque surtados de santidades adoecidas por não saber-se distinguir entre está em carne e sob a carne. Sem muita embromações e rodeios, está na carne (na condição humana) é ser grato e se permitir usufruir e experimentar os bons e necessários prazeres, gostosidades, deleites, gozos, satisfação e aprazimentos da vida com bom senso, propriedade e responsabilidades, e não cair em separatismos ideológicos e doutrinários entres o sacro e o profano, entre os santo e mundano, entre corporeidade e espiritualidade. Por outro lado, está sob carne, recorrendo a um texto cristão que despe e desnuda com clareza e objetividade essa questão, se caracteriza em existir e se conduzir em antagonismo e contradição de tais ações e sentimentos que apenas demostram verdadeira humanidade: amor, gozo, paz,...

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Zika: A gíria do azar invade o mundo
fev04

Zika: A gíria do azar invade o mundo

O termo Zica, no âmbito da gíria urbana, denota significações as mais variadas, chegando as compreensões e designações como coisa ruim, um problema, um desentendimento, baixo astral, mau presságio, mau agouro, pessoa azarada, sob maldição, todavia, também recebe, em certos contextos, o sentido de estado de ânimo de uma pessoa que é alegre, divertida, e que está sempre bem humorada. A pessoa que demonstra estar sempre “de bem com a vida” também é chamada de “zica do baile” ou “zica da balada”. Sua possível origem esteja na abreviação da palavra “ziquizira”. Agora estamos, em nível mundial, na condição de Estado de Alerta por conta da OMS (Organização Mundial da Saúde) decretar que o Zica Vírus tem relação com a patologia da microcefalia e da Síndrome de Guillan-Barré, que é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca o sistema nervoso por engano, que causa uma inflamação nos nervos e fraqueza muscular. Ou seja, sua contração gera o comprometimento neurologia da criança em sua constituição ainda embrionária, de modo que são vitimadas pela perda e incapacitação de funções cerebrais irreversíveis. Assim, vivemos uma fase da história humana onde não é apenas a bomba atômica a única ameaça para a vida, mas essa Ogiva Viral Orgânica Zicosa cujo meio de ataque em nada lembra as maquinarias bélicas aéreas de grande porte e repletas de mecanismos e armas de morte, mas um aparente inofensivo e indetectável mosquitinho que se desenvolve em áreas tropicais com muita facilidade e fecundidade. Agora o perigo não são os camelos-militares(caças, helicópteros, porta-aviões) mas os mosquitos-armas biológicas que de modo silencioso e letal afetam a capacidade humana de desenvolver sua faculdade de raciocínio, e consequentemente, de adquirir consciência da realidade de sua existência e sua autopercepção. Assim sendo, com a sua contaminação somos levados e submetidos a necrose mental e emocional, sepultados em vida, Zumbificados por esse Vudu Entomológico, mortificados em vida e condicionados a mortalidade do espirito ainda que respirando, visto que como resultados inexoráveis estão atraso mental, déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, autismo e rigidez muscular. Dias atrás, elucubrando sobre uma obra de caráter escatológico que estou começando a escrever, dialogava com meu enciclopédico brother Alan Kardec Cardoso, que, em sua análise, que eu concordei e agora os noticiários confirmam, logo tenderia a aparecer, ou por vias da produção intencional humana ou por conta da natureza se metabolizar, um recurso ou epidemia que causaria um ataque frontal e eliminação significativa à nossa espécie. Uns dizem que o Zica é fruto da laboratoriedade farmacêutica visando, em uma só tacada, reduzir a população humana e vender vacinas, a mítica da Mão Invisível do Mercado a fim de...

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A Noite Mais Escura – Criando e Descriando Terroristas
jan04

A Noite Mais Escura – Criando e Descriando Terroristas

O fato do filme A Noite Mais Escura – assinado pela diretora Kathryn Bigelow e roteirizado por Mark Boal, também os mentores de “Guerra ao Terror” – receber cinco indicações a estatueta do Oscar, não tem como ser explicado e fundamento sem se vincular isso e recorrer ao espírito nacionalista e belicista americano, já histórica e patologicamente habitual em sua tradição cinematográfica de guerra. O apelo constante ao papel de defensor e mantenedor da segurança e da ordem, a autopromoção de sua conhecida neurose de heroísmo inabalável e abnegação patriótica, o carreirismo burocrático e toda uma lógica paranóica em quebrar todos os protocolos e códigos morais, éticos e diplomáticos, sempre aplicado a violência e o autoritarismo em suas “táticas cirúrgicas”, com a finalidade de realizar a justiça e patrocinar a paz no mundo, alimentam o transcorrer dos diálogos, das cenas e todo o desfecho de sua narrativa. Basicamente, quem dá o tom e o fio condutor do filme é a personagem tecnocrata da Cia (agência de segurança nacional) Maya (Jessica Chastain), que é recrutada ainda no ensino médio ao se destaca e demonstrar esperteza para o ofício, procedimento patrão do governo americano, e também a mesma estratégia usada por movimentos e organizações terrorista ao redor de todo mundo, o que inclui, é óbvio, a temida e execrada Al-Qaeda, e seu regime político Talibã, alvos e objetos de toda a operação. Um aspecto interessante e notório no desenrolar da trama, é a machificação ou masculinização da personagem, que faz sua entrada na história participando de uma sessão de tortura infligida a um suspeito de ser membro da terrível e perigosa Al-Qaeda. Suas expressões e reações durante a aplicação das técnicas de violência física para convencer o detento a confessar, denotam a repulsa e profundo incômodo e mal-estar pela situação de ver o homem passar por afogamentos controlados, inanição alimentar e maus-tratos variados, de modo que se percebe que a sua sensibilidade, piedade e compadecimento, esses atributos considerados próprios da natureza feminina, não como uma regra, e sim como tendência psicológica, uma vez expostos ao terror da brutalidade. Depois que a mesma é inserida as rotinas e deveres do novo posto, em todas suas demais interferência diante da investigação para descobrir o paradeiro do guru terrorista Bil Lader, mais e mais se apossa dela um espirito masculinizado que demonstra a habituação pela prática da violência, antes ojerizada, a paranoica obsessiva corporativa pelo trabalho, que a faz esquecer dos demais aspectos da vida, entre eles o sexo, que é motivo de piada em uma das cenas por parte de uma amiga de trabalho em uma conversa delas numa refeição, onde não somente...

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Queime Depois De Ler – Quando casar não passa de uma piada de mau gosto
dez30

Queime Depois De Ler – Quando casar não passa de uma piada de mau gosto

Poucos roteirista e diretores tem conseguido encontrar a dose certa na combinação de violência e humor, brutalidade e satiridade, cotidianização da morte e a morte do cotidiano, e desse modo, obter o apresso tanto de espartanos sanguinolentos quanto de gregos cômicos. Trafegar por essa linha tênue, tornou-se “o pulo do gato” e a inconfundível “isca pra tubarão” nas obras cinematográficas dos irmãos Cohen, que a tempos produzem filmes que são bem-sucedidos ao casar as realidade da trágica e do sangue com trivialidades e risos do viver ocidental-americano. Basta ter a experiência de assistir películas como Onde os Fracos Não Têm Vez, Matadores de Velhinhas, Arizona Nunca Mais, Um Homem Sério, dentro outros, que compõem o vasta e convincente legado desses irmãos de sangue e para o sangue. Queime depois de ler segue essa alquímica fórmula dos irmãos, cuja trama parte da crise existencial de um analista-espião da CIA que decide largar o emprego depois de ser confrontado por seu vício em álcool. Protagonizado pelo insano e genial John Malkovich, esse ex-funcionário CIA, depois e pedi demissão, decide escrever um livro de memórias relatando suas experiências de anos de agente, situação que leva sua infiel esposa a iniciar um processo de divórcio, e para isso é aconselhada por seu advogado a vasculhar os registros bancários do marido em seu computador a fim de se sair bem na situação. Outro casal do filme, cujo marido é interpretados pelo camaleônico George Clooney, constitui um família formada por um investigador federal do tesouro e um escritora de livros infantis, e encarnam o estereotipado modelo de marido canalha compulsivo por sexo casual e a aparente recatada mulher do lar, todavia, interessada, curiosamente, por artigos de fetiche sexual, uma vez que numa das cenas, seu marido prepara um geringonça em forma de cadeira sádico-erótica. Dando ritmo e um toque ao mesmo tempo hilárico e dramático ao filme, aparecem uma dupla de funcionários de uma academia com jeitos e trejeitos que vão do patetismo imbecil ao oportunismo matreiro americano, interpretados por Brad Pitt e Frances McDormand, ele um instrutor do tipo corpo sarado e cabeça oca, e ela cujo nome é sardonicamente Linda, busca a todo custo financiar cirurgias plásticas para se sentir mais jovem e sexy. Todavia, ainda que não veja a mulher mais atraente do pedaço, vive a caça de encontros amorosos em rede sociais de relacionamentos na intenção de descobrir um príncipe encantado, já que se trata de uma quarentona solteira e com crise de auto aceitação. Não entregando o enredo e nem suas particularidades, apenas mencionamos que o fundo geral do filme está ligado a irônica e ilusória aparência do que vem...

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Literalmente um Lixo!
ago29

Literalmente um Lixo!

Quem vê elenco reconhecido por seus grandes trabalhos em cinema na capa de um filme, não pode se confiar que isso seja sinônimo de qualidade em seu roteiro e produção. Isso se aplica perfeita no filme que literalmente é um LIXO, Trash: A Esperança Vem Do Lixo, um dos piores filmes que já vi na vida, do tipo que você sabe, já no meio dele, que se trata de uma porcaria, mas fica esperando a hora dele ganhar algum sentido ou rumo que o torne no mínimo digno do investimento e dos atores envolvidos nele. Martin Sheen, Wagner Moura, Selton Melo me provaram que por traz e dentro de todo grande ator, há um perfeito e grande hipócrita cínico que antes de valorizar a arte e predicativo em uma proposta cinematográfica onde atuará, os cifrões, a grana, o cachê fala mais alto, a ponto de se conseguir usar a batida formula de cinema brasileira: ambiente de favela, política corrupta e banditismo policial, da maneira mais patética, ridícula e deprimente do que se poderia imaginar. Isso me levou a ponderar de quantas produções em cinema de real valor precisando de recursos, por não saber “o caminho das pedras”, leia-se, saber fazer looby, acabam não saindo do papel, enquanto Lixos recebem grana pesada. VIVA O CINE TRASH...

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