Arrocha Alvorada!
nov23

Arrocha Alvorada!

Fui vender cerveja e batida na frente do Cala Boca e Beija Logo no Sambódromo, uma moça encostou no meu isopor e ficamos batendo papo por um tempo, logo depois ela me convidou pra casa dela que ficava logo alí no Alvorada, não pensei duas vezes, peguei dois litros da batida de maracujá e me taquei no rumo de dentro. Chegando nas biqueiras da Avenida J, nos pegamos no meio da rua e acabamos entrando numa casa em construção que aparentemente estava abandonada, sacos de cola e pontas de cocoroco davam uma decoração especial ao ambiente, subimos para o segundo andar e lá mesmo transamos. Me apaixonei. Aquela menina tinha algo que me fez sentir vontade de ser diferente, senti vontade de fazer um curso no Grupo Sucesso, tomar um rumo na vida, sei lá. Após conversarmos sobre tudo, ela adormeceu em meus braços e eu percebi que seria feliz se aquela noite nunca acabasse. Lá pelas 5:30 ela acordou do meu lado e me pediu desculpas, falou o que ocorreu naquela noite, ela brigou com o namorado, flagrou ele ficando com outra garota voltando do banheiro, decidiu dar o troco da pior forma, aleatoriamente eu fui escolhido para fazer parte dessa história. Acendi meu último Euro e ficamos sentados na ponta da laje, nesse momento, nunca na minha vida tudo ficou tão sincronizado: o coração apertando, meu cigarro queimando, o sol nascendo no horizonte e o namorado dela dobrando a esquina com outros 6 amigos. Ela gritou "corre!", sorri e dei meu último trago. O Alvorada é um bairro perigoso, e isso nada tem a ver com os galerosos de abadá tentando te furar com espeto de churrasco e vigas de obras abandonadas, o perigo está nas mulheres que machucam seu coração. Carlos Castilho, vendedor ambulante, morto no bairro Alvorada após uma briga de galera, segundo o Portal do...

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