Aquele fogo que se acende com a ponta dos dedos

Era mais uma dessas noites quentes e véspera de feriado, boa parte da cidade deveria estar a caminho dos bares após saírem sedentos por uma cerveja depois de um dia cheio, tinha música tocando em quase toda esquina. E tinha música tocando também no quarto da Érika, as batidas leves e quentes soavam enquanto a garota se arrumava, dançando só de calcinha pro seu gato de estimação deitado no tapete, levou o dobro do tempo pra ficar pronta por conta das trocas de roupa e mensagens no celular. Aquele bom humor incomum nos últimos dias bem que poderia ser um bom presságio de que iria se divertir e fazer valer o trabalho de delinear os olhos duas doses de vodka depois.

A banda do amigo ainda não havia entrado quando ela chegou, foi pra área de fumantes procurar por algum conhecido e também os olhos daquele cara que esperava que aparecesse por lá. Acenaram de uma das mesas no canto onde a fumaça ficava bonita de ser vista na luz, cumprimentou todos e avisaram que logo iriam entrar pra ver o show, quando terminou o grupo que estava tocando, uma das amigas pediu que Érika fosse com ela comprar cigarros fora do bar, a garota foi pegar uma bebida enquanto a amiga iria ao banheiro antes de saírem. Não prestou muita atenção em nenhum rosto pelo caminho e já tinha feito seu pedido no balcão quando uma voz familiar perguntou algo, já sabia quem era antes mesmo de se virar pra ver com quem falava.

-E aí? A noite tá boa?
-Oi… até então está indo bem. E a sua? -pegou a bebida trazida pelo barman e agradeceu, virando-se de frente pra encará-lo.
-Uma caipirinha. –o rapaz pediu ao mesmo atendente e virou-se pra garota: -A minha tá começando bem, tá com quem aqui?
-Uns amigos lá atrás… você chegou agora?
-Sim, quase nem vinha mas…
-O pessoal tá indo lá pra área de fumantes, vou te esperar lá. -disse uma garota interrompendo a conversa por não ter visto Érika antes, até que virou pra cumprimentá-la sorrindo: -Ah, oi! Tudo bom?
-Tô esperando minha caipirinha e já vou lá – ele respondeu antes que Érika tivesse tempo de falar algo e a outra garota foi andando
-Então, eu nem vinha mas encontrei com a Vitória na casa de um amigo e eles me convenceram.

Érika dava constantes goles na sua bebida tentando disfarçar o desapontamento, Marcelo pegou seu copo e disse algo que ela não ouviu bem por causa da amiga que apareceu para chamá-la.

-Vamos lá fora comprar cigarro… a gente se fala depois.

Seguiu até a porta já se arrependendo de ter saído de casa, encontrar o cara que você queria ver chegar com a “ex” não é exatamente uma boa forma de começar a noite, voltou decidida a ter um tempo bom assim mesmo e deixar essa paixãozinha de lado, já tinha se passado dois anos e alguns beijos, vai ver ele não tava mesmo na dela.

Foram mais dois drinks durante o show e algumas espiadas com o canto do olho quando notou que Marcelo não estava muito longe dela, a “ex” sempre por perto, vez e outra falando algo no ouvido ou tocando nele por alguma razão, será que ainda ficavam? Nas últimas músicas comprou uma água e saiu para fumar o primeiro cigarro da noite, sentou numa mesa sozinha, procurava pelo isqueiro na bolsa quando Marcelo puxou uma cadeira e sentou perto dela oferecendo-lhe fogo. Não sabia o que ele fazia ali, pouquíssimas foram as vezes em que conversaram, principalmente cercados de tantas outras pessoas, assoprou a fumaça devagar esperando que a Vitória surgisse do nada cheia de mãos e sorrisos e ficou encarando o rapaz sentado à sua frente. Ele nada disse por um tempo, deu o último gole da sua cerveja e sorriu.

-Tá na água? Já parou de beber por hoje?
-É que tá muito quente… e quanto a parar de beber, ainda não decidi sobre isso. E você? Parou?
-Não, não… vou já no bar pegar mais uma, quer também?
-Ah, quero sim… deixa eu pegar o dinheiro.
-Espera aí, já volto. -ele tocou na mão dela enquanto mexia na bolsa e se levantou pra ir até o bar.

Érika ficou olhando Marcelo se afastar achando um tanto incomum aquela situação, terminou o cigarro e viu alguns dos amigos dele ocupando uma das mesas, provavelmente a Vitória o tinha segurado lá dentro, resolveu entrar e procurar os amigos e mal deu alguns passos em direção à porta quando viu o rapaz vindo na sua direção segurando as cervejas.

-Demorei tanto assim que cansou de esperar? -ele entregou a cerveja pra garota
-Obrigada. -ela apenas sorriu e deu um gole pra não dizer que sequer esperava que ele voltasse e pegou um cigarro
-O que acha de queimar algo melhor que isso aí?
-Hmm… tem aí?
-Tenho no carro… -a área de fumantes começava a se encher com fim do show “-Quer sair daqui?”
-Vamos.

Marcelo foi na frente e enquanto o seguia, a garota chegou a ver Vitória vindo na direção oposta com uma amiga, mas com o tanto de gente entre eles nem se cruzaram. Érika deu um longo gole na sua cerveja já no carro olhando pela janela, grata por estar com o tanto de álcool o suficiente circulando pra não deixar que ela analisasse cada minuto, ainda assim não sabia se ficava feliz pela possibilidade de uma transa casual com aquele cara por quem tinha uma puta queda, ou se desanimava pelo mesmo motivo.

Ao terminar de enrolar ele tomou metade da cerveja, acendeu o fumo e passou pra garota. Ligou o carro, escolheu uma música e ficou olhando pra ela enquanto fumava, Érika sempre ficava nervosa quando se sentia observada e passou pra ele querendo distraí-lo mas o que ele fez foi beijá-la de surpresa, daquele jeito intenso, como se tivesse esperado a noite toda por aquilo. Terminou a cerveja e deu a partida.

-Tá indo pra onde?
-Pra minha casa, tem problema?
-Me diz você, achei que tinha vindo com a Vitória.
-É, ela veio comigo… mas não viemos juntos, se é o que você tá pensando. -Marcelo olhou pra garota que nada disse, apenas sentia o vento com uma das mão fora da janela -Eu e ela podemos ficar juntos às vezes mas nós terminamos, é só que… às vezes é difícil abrir mão de algumas pessoas, sabe.

E é claro que ela sabia, tava sentada do lado de uma dessas pessoas que sua mente e provavelmente hormônios, impediam que ela deixasse pra lá, mesmo quando não conseguia achar qualquer motivo pra levar aquilo adiante. Algumas pessoas te ganham fácil, essa é a verdade. Um sorriso, um toque, uma ligação inesperada, uma bebida que te oferecem quase sem pretensão num bar, simples assim. O Marcelo não precisava nem se esforçar, alguma coisa na química dele reagia muito bem com alguma coisa na química dela e era desse tipo de atração que te falta uma palavra pra descrever. Passaram pela casa sem fazer barulho pra não acordar ninguém. O quarto era mais afastado dos outros cômodos da casa e os dois não haviam se tocado desde o beijo no carro, assim permaneceu até que entraram em consenso sobre o que ouvir naquele resto de noite.

Marcelo escolheu um vídeo daquela banda pra assistirem e aproveitou a deixa pra puxar Érika pra sentar no seu colo, ele era sutil, ia avançando devagar, paciente. No decorrer da música a mão já passeava pelas coxas da garota enquanto a beijava no pescoço, reconheceu as curvas do corpo dela enquanto a deixava escolher o que assistir e despertava todo o calor que tinha alí cada vez que um apertão e um cheiro eram mais demorados. Antes da metade daquele vídeo já acariciava por cima da calcinha, colocou então a garota de pé, com as mãos apoiadas na mesa, levantou a saia e sentiu enfim o quente e o macio nos dedos, brincou ali tempo suficiente pra Érika sequer cogitar a ideia de se afastar da pele dele por algum momento. O celular da garota tocou no fundo da bolsa e a insistência do barulho ajudou a achá-lo no meio de tantas coisas, viu rápido o nome da amiga com que tinha ido à festa no visor, ela não tava mesmo a fim de emitir qualquer som que não fossem gemidos e preferiu responder por texto. Quando ela começou a digitar ele abaixou a calcinha devagar, apertou o corpo no dela tornando quase impossível reunir foco pra terminar de escrever uma frase, quando enviou deixou o celular em algum lugar e virou de frente pra Marcelo, puxou o corpo dele pra perto do seu ao beijá-lo.

-Por que eu não consigo te evitar?- a pergunta da garota quase se perdia num suspiro.

Como que pra dar uma resposta pra ela, virou-a de costas de novo e deslizou pra dentro dela de uma vez, quando ela gemeu um pouco mais alto, tapou a boca dela com uma das mãos e se afastou.

-Talvez você devesse ser minha. -ele falou no ouvido dela antes de carregá-la e soltá-la na cama.

Marcelo beijou-a dos pés até a cintura, fazendo um caminho por dentro das coxas até que suas mãos alcançassem os seios, Érika tirou a blusa e puxou o rapaz pra si, ele a provocou um pouco enquanto se beijavam e a garota sentiu o perigo que era aquele cara, sabendo fazer coisas exatamente do jeito que ela gostava, nem parecia ser uma primeira transa. Ele começou devagar porém logo o ritmo ficou intenso, ouvia a respiração forte e os gemidos contidos da garota enquanto a beijava no pescoço, isso o excitava ainda mais. Deitou pra que Érika ficasse por cima, tirou o sutiã pra sentir os seios dela que estavam à altura do seu rosto, mordeu de leve quando o movimento da garota fez com que eles o tocassem, fazendo-a arrepiar. Segurou-a junto dele de modo que ela não podia se mexer deitada sobre seu corpo, ia rápido e ainda mais rápido quando as mãos da garota o apertavam mais forte e depois devagar quando ela o soltou, Érika deu-lhe um beijo demorado o suficiente para agradecer pelo orgasmo.

3 (1)

-Cansou?
-Ainda não. Falta você ainda.- Érika sorriu sentindo com a mão que ele ainda estava excitado.

Ela levantou e trocou a música, tirou a saia que ainda estava vestindo e engatinhou na cama até Marcelo, ela tinha o corpo bonito e sabia bem o que fazer com a boca, o rapaz levantou a cabeça pra poder olhar pra ela, afastou o cabelo da garota do rosto, gemeu, a garota era boa, muito boa.

-Olha pra mim, quero ver você me chupando. -ela olhou pra cima e brincou com a língua, roçou os lábios e então aumentou o ritmo usando uma das mãos.

Ele gostava de observar e naquele momento tinha a visão perfeita de uma cena que normalmente via nos seus sonhos ou quando batia uma no chuveiro, aquilo o deixou tão excitado que puxou ela pra cima antes que gozasse, beijou a garota e e lhe disse pra ficar de quatro. Érika tentava não fazer muito muito barulho, ele ia forte, puxava o cabelo e quando usou uma das mãos pra tocá-la, não demorou pra que ela gozasse mais uma vez.

-Tu é muito gostosa…

2

Ele não parou, agarrou o quadril dela com força e continuou intenso até quase gozar, quando tirou, ela se virou pra trás a tempo de ver ele terminar e deitar extasiado na cama. Chamou a garota para deitar perto dele e deu um beijo nela, quando recuperou o fôlego vestiu a cueca e foi até a cozinha pegar água, logo ia amanhecer e a família iria passar o dia em um sítio. Quando voltou pro quarto Érika estava se vestindo, deu copo pra ela e esperou que terminasse de beber.

-Quer passar o dia comigo?
-Quer que eu fique?
-Quero.
-Tá bem. -ela respondeu depois de pensar um instante
-Você não vai precisar disso… -ele tirou a saia dela novamente, a garota sorriu.

Marcelo trancou a porta atrás de si, desligou a luminária e foi levando a garota de volta pra cama enquanto a beijava.

Author: Ells

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