Casa de Caba lança 1º CD no Largo São Sebastião

Depois de dois anos em processo de gravação, a banda Casa de Caba lançará seu primeiro álbum que levará como titulo o nome da banda. Composto por 5 faixas autorais produzidas pelo produtor musical Bruno Prestes, e uma faixa bonus extra produzida por Magaiver Santos e Isaac Guerreiro, o disco será lançado na próxima quarta­feira, 27 de julho, no largo São Sebastião, no tradicional Tacacá na Bossa.
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Crédito: Junior Moraes, Manaus, 2015.

Formada em 2012, a banda é composta por sete músicos, Magaiver Santos (Voz e Violão); Jeorgio Claudino (Voz e Guitarra); Samir Torres (Voz e Baixo); Alfredo Jatobá (Flauta); Paulo Pereira (Percussão); Erika Tahiane (Percussão); Josias Moraes (Bateria) e Anália Nogueira na produção executiva, e já teve também em sua formação participação de Moises Costa na guitarra. Definido pela própria banda como afro­roque, o som é forte, marcante e tem influência no mangue beat, movimento cultural originado na década de 90. A mistura de ritmos é o diferencial proposto,  que norteia a música da banda. Desde seu principio é a experimentação, com base na liberdade de criação de cada um dos sete integrantes com suas bagagens sonoras próprias de cada um, proporcionam um circuito entres diferentes ritmos, maracatu, afoxé, baião, indo do forró xoteado ao rock’n roll, sem estacionar em nenhum. Os hits “Janaina”, “O Cacto”, “Ogum”, farão parte desse registro que a partir do dia 23 de Agosto será disponibilizado a download nas plataformas digitais. Produzido por Bruno Prestes, produtor musical desde 2011, importante fortalecedor da cena musical de Manaus, já gravou e produziu CD da banda Tucumanos, Johnny Jack Mesclado e Anônimos Alhures. Para a realização desse registro independente a banda Casa de Caba teve como apoio a cena musical autoral da cidade com evento de ocupação de rua, BLOCO NA RUA, em fevereiro desse ano, com fins de fortalecer o custeio do projeto.
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Crédito: Junior Moraes, Manaus, 2015.

O lançamento do CD físico será celebrado no centro da cidade, Largo São Sebastião, no tradicional encontro musical Tacacá na Bossa, na próxima quarta-­feira, as 19h. Casa de Caba apresentará 13 musicas novas do repertório do espetáculo “T r a v e s s i a“, que está em circulação pela Amazônia no projeto Sesc Amazônia das Artes. A noite terá participação do Maracatu Pedra Encantada e banda Transcendência. O evento será documentado pelas lentes do fotografo Robert Coelho, e rapper Jander Manauara, captado por Shakal Mam, e lançado no formato de DVD no canal da banda no Youtube e redes sociais. O evento será gratuito e o álbum da Casa estará disponível a venda. O figurino do lançamento vai ficar por conta de Adroaldo Pereira, com o reaproveitamento do tecido de sombrinhas e guardas-chuvas sem uso. “Nós temos uma história recente de explosão criativa, a banda tem apenas três anos e encontramos nosso maior desafio quando entramos em estúdio pra gravar no ano passado. Cara! É muito trabalho! Ansiedade pelo resultado final e pelos caminhos que virão são nosso maior sentimento agora. Queremos sentir o calor do nosso público local, dia 27 no lançamento do nosso primeiro CD, e levantar essa energia pros nossos próximos passos. AVANTE CASA!” trecho da entrevista com Samir Torres, baixista Casa de Caba.
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Crédito: Kelly Priscila Oliveira

Pergunto a Bruno Prestes sobre o processo de gravação do primeiro CD com a banda e tivemos esse depoimento emocionante: “Por se tratar do primeiro contato da banda com uma gravação mais artística foi necessário, em primeiro instante, concentrarmos em aspectos técnicos mais específicos. O tempo mais alongado da produção foi inevitável para que houvesse tempo para maturar, modificar, desmistificar as ideias dos integrantes a respeito do jeito de tocar, tirar toda a ansiedade que paira sobre a primeira gravação. O grande desafio hoje na cidade é realmente ter músicos preparados tecnicamente e emocionalmente para entrar em estúdio. Vejo que o Casa de Caba tem talento/ interação ímpar, mas não tinha qualquer experiência em como se portar diante daquela situação. Na primeira etapa a ideia era preparar mentalmente (mesma que de forma muito sutil) cada integrante sobre o modo como iriam se portar diante da gravação, como utilizar o metrônomo sem perder a naturalidade e manter todas as imperfeições benéficas à canção, como encontrar o andamento de cada música para que não causasse desconforto em qualquer seus integrantes na hora de cantar/tocar, melhorar a pegada e evitar a ansiedade que toda a situação por si só já impõe. Muito trabalho de edição ainda foi utilizado justamente porque esse processo de aprendizagem é realmente longo, mas hoje, definitivamente, a banda está muito mais preparada para encarar um estúdio com mais precisão e equilíbrio. Tudo em decorrência de toda essa preparação de mais de um ano. Em outras palavras: A banda não é mais a mesma tecnicamente e emocionalmente! O bom produtor em minha opinião é que nem juiz de futebol, quanto menos aparecer você sabe que o jogo foi tranquilo e houve uma boa arbitragem. O intuito da produção foi disponibilizar um espelho à banda para que eles pudessem ver (ouvir) tudo que estava em excesso nas canções, tentar evidenciar os buracos que precisam ser preenchidos, discutir trechos que só funcionavam ao vivo e como encarar o trabalho de forma mais artística sem perder a característica da banda ao vivo em si, diga-­se de passagem, é muito A ideia sobre como deveria soar o espectro já estava claro na minha mente desde o início. Queria uma bateria um pouco mais “sala”, com notas mortas e rimshots bem definidos”. Para Bruno, a bateria deveria ficar levemente atrás para que deixasse espaço para o baixo e a percussão sem que houvesse conflito. “Outro detalhe importante foi que sincronizei o baixo, a batera e a guitarra com bastante perfeição enquanto tentei minimizar ao máximo a edição de todo o restante com o intuito de balancear o trabalho e manter as imperfeições “bem vindas”. O maior desafio foi tentar ‘encontrar o espaço ‘da flauta uma vez que possui composição bem rebuscada para que não entrasse em conflito com as vozes e as guitarras. Foi igualmente importante separar a ideia da banda ao vivo do trabalho artístico que estávamos fazendo. Ao vivo existem outros elementos que entrarão no somatório da experiência (luz, som alto, temperatura, pressão sonora, interação, etc) enquanto um trabalho de produção você parte do pressuposto que é outra experiência envolvendo menos elementos, que é preciso cuidado para que o ouvinte seja abarcado pelas canções (e não perca a paciência com ela por seu tamanho de faixa ou repetição exagerado de trechos,por exemplo)”, orientou. OUTRA ASPA DE OURO: ate-o-tucupi-bruno-prestes-01“Quanto a composição da banda, desde o início eu tinha bastante admiração pelo trabalho do Casa de Caba. Não é o tipo de composição de fácil assimilação pela maioria das pessoas mas com toda a certeza uma vez você dentro dessa atmosfera é um caminho sem volta. E o Casa de Caba é realmente isso, não visa a quantidade de oportunidades, mas a qualidade da experiência que vai passar. Trata­-se de um punhado de artistas que têm um respeito enorme pela arte acima de tudo e que demonstram ser altamente desapegados dos anseios do dia-­a-­dia de como uma banda deveria ser para ter sucesso. Não é algo feito pra consumir simplesmente, é para apreciar. Você não lê letras de músicas dessas canções, lê poemas que foram meticulosamente construídos em muitas horas de trabalho. Outra característica interessante é a diversidade que a banda mostra, criando um verdadeiro caldeirão de influências entre os músicos e seus instrumentos . Um espaço extremamente democrático onde existe lugar para todos por incrível que pareça. O clima das canções é denso. Toda vez que escuto Casa de Caba parece que vai acontecer algum evento tenebroso e se não aconteceu vai acontecer”.  
Redação

Author: Redação

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